Líder do Mundial aproveitou Safety Car Virtual que apareceu no pior momento para Norris e venceu a primeira corrida da F1 no Madring; Verstappen foi segundo, enquanto Bortoleto teve estratégia longa e terminou fora dos pontos.
Lando Norris parecia ter o controle, mas Kimi Antonelli foi quem venceu o GP da Espanha de Fórmula 1 neste domingo (13). Na primeira corrida da história da categoria no Madring, o piloto da Mercedes aproveitou uma reviravolta provocada pelo Safety Car Virtual para assumir a vantagem estratégica e conquistar mais uma vitória na temporada 2026.
Max Verstappen terminou em segundo depois de resistir à forte pressão de Norris nas voltas finais. O pole-position completou o pódio em terceiro, depois de ser o grande prejudicado pelo momento em que o Virtual Safety Car foi acionado. Charles Leclerc terminou em quarto e George Russell foi o quinto. Gabriel Bortoleto, que largou em 12º, perdeu posições na primeira volta e teve seu stint inicial com pneus duros prolongado pela Audi, mas terminou fora da zona de pontos.
Corrida
O GP da Espanha marcou neste domingo a estreia oficial do Madring em uma corrida de Fórmula 1. O novo circuito de Madrid recebeu uma prova de 57 voltas, totalizando 308,399 km, em um fim de semana no qual a dificuldade para ultrapassar e a gestão dos pneus já haviam surgido como dois dos principais pontos de atenção.
O calor também era importante. A expectativa era de temperatura ambiente próxima dos 32°C e asfalto podendo alcançar a região dos 53°C, aumentando as dúvidas sobre a degradação em uma pista completamente nova para as equipes.
A Pirelli apontava inicialmente uma parada como a estratégia mais provável. Para quem começasse com médios, a janela prevista para colocar os duros ficava aproximadamente entre as voltas 18 e 24. Uma estratégia de duas paradas, entretanto, também era possível caso a degradação fosse maior.
E as escolhas no grid foram variadas.
Norris e Antonelli, que dividiam a primeira fila, largaram de médios. Verstappen e Hamilton escolheram macios. Leclerc, Russell, Piastri, Lawson e Bortoleto estavam entre aqueles que partiram com os duros.
Gabriel largava em 12º, uma posição atrás de Hülkenberg, e a Audi tinha uma referência interessante para o C2: Bortoleto havia sido o único piloto a utilizar o composto duro já no começo do TL1.
Antonelli ataca Norris, mas Verstappen aproveita
Quando as luzes se apagaram, Antonelli imediatamente partiu para cima de Norris.
O italiano atacou o pole-position, mas passou reto na chicane e precisou devolver a posição à McLaren.
Antonelli tentou novamente e, mais uma vez, acabou cortando a chicane.
A insistência acabou custando caro.
Enquanto o piloto da Mercedes se preocupava com Norris, Verstappen encontrou espaço e ultrapassou Antonelli, assumindo a segunda posição.
Norris aproveitou a confusão para escapar na liderança e rapidamente abriu mais de um segundo para Verstappen.
Mais atrás, a largada foi ruim para Bortoleto. O brasileiro saiu da 12ª posição, perdeu várias colocações e caiu para 15º ainda na primeira volta.
Piastri também teve problemas. O australiano se tocou com Russell e despencou para décimo, além de ficar com parte da asa dianteira danificada.
Hamilton informou à Ferrari que também havia tocado o muro, embora inicialmente a equipe tenha respondido que os dados do carro não indicavam problemas importantes.
Verstappen se irrita e Hamilton tem problema nos freios
A disputa das primeiras voltas ainda teve um episódio envolvendo Verstappen.
A Red Bull orientou o holandês a devolver uma posição para Hamilton. Verstappen ficou bastante irritado e afirmou que precisou sair da trajetória para evitar um contato na chicane.
O piloto cumpriu a determinação, permitindo a passagem de Antonelli e Hamilton.
Não demorou para reagir.
Verstappen atacou novamente e ultrapassou Hamilton na pista.
A partir daí, porém, a corrida do britânico começou a desmoronar.
Hamilton avisou à Ferrari que o pedal do freio estava muito longo e que sentia uma possível falha. A equipe permitiu que Leclerc passasse.
Pouco depois, Hamilton passou reto e informou pelo rádio que estava sem freios.
A Ferrari imediatamente ordenou que ele parasse o carro.
Era o encerramento precoce de um fim de semana particularmente complicado para o heptacampeão, que já havia batido durante o TL3 e dependido de um grande trabalho dos mecânicos para participar da classificação.
Norris abre vantagem
Sem Hamilton na disputa e com as primeiras posições estabilizadas, Norris começou a construir vantagem.
Na sétima volta, o piloto da McLaren já estava 4s7 à frente de Antonelli.
A situação parecia bastante favorável ao pole-position.
A própria McLaren informou a Norris que os pneus de Antonelli estavam em condições piores do que os seus, sugerindo que o britânico tinha vantagem também no gerenciamento.
Bortoleto tentava reconstruir sua corrida depois da largada ruim. Gabriel passou a andar muito próximo de Gasly, mas não conseguia encontrar espaço para completar a ultrapassagem.
Era justamente o problema que os pilotos haviam antecipado durante os treinos: seguir outro carro e atacar no Madring era extremamente difícil.
Na região intermediária, Colapinto passou a formar um trenzinho.
Lawson conseguiu se aproximar suficientemente e colocou o carro por dentro para completar uma das poucas ultrapassagens daquele momento, assumindo a sexta posição.
Lindblad tornou-se o próximo a atacar Colapinto, enquanto Piastri pressionava logo atrás, ainda carregando os danos na asa dianteira.
VSC aparece no pior momento para Norris
A corrida mudou completamente na volta 15.
Stroll informou que estava sem freios e, praticamente na sequência, o Safety Car Virtual foi acionado.
O momento não poderia ter sido pior para Norris.
O líder havia acabado de passar pela entrada dos boxes.
Antonelli, Verstappen e Russell imediatamente aproveitaram a neutralização e realizaram suas paradas, reduzindo significativamente o tempo perdido.
Norris não tinha como responder.
A bandeira verde apareceu e a McLaren chamou seu piloto na volta seguinte.
Para piorar, a parada foi demorada.
Norris retornou apenas na quinta posição.
A corrida que até então parecia sob controle do britânico havia sido completamente transformada por alguns segundos de diferença no momento do VSC.
Bortoleto aparece no top 10
As diferentes estratégias deixaram a classificação embaralhada.
Russell colocou pneus médios e chegou a discutir com a Mercedes a possibilidade de seguir até a bandeirada. A equipe rapidamente descartou a ideia: aquele jogo não conseguiria completar a distância restante.
Leclerc continuava na pista sem realizar sua parada.
Antonelli começou a chegar na Ferrari.
Bortoleto também não parou e apareceu provisoriamente em nono, beneficiado pelo ciclo de trocas à sua frente.
O brasileiro seguia com os pneus duros utilizados desde a largada.
Na volta 18, Antonelli já estava muito próximo de Leclerc, mas a Mercedes pediu cautela. A equipe alertou que o italiano poderia destruir seus pneus caso continuasse forçando naquele ritmo.
Antonelli relata problema na direção
A corrida então entrou em uma fase muito mais espaçada.
Praticamente não havia disputas próximas na pista. Lindblad perseguia Colapinto e Bearman pressionava Sainz, mas o restante do pelotão apresentava diferenças maiores.
A dificuldade para ultrapassar começava a marcar definitivamente a estreia do Madring.
Antonelli ainda tentava alcançar Leclerc quando relatou um problema.
O italiano afirmou que estava com dificuldades para fazer as curvas e que o volante parecia estranho.
Apesar da reclamação, continuou normalmente.
Sainz, por sua vez, recebeu uma punição de cinco segundos e posteriormente uma bandeira preta e branca por limites de pista. O espanhol cumpriu a penalização.
Norris inicia recuperação
Antonelli voltou a tentar chegar em Leclerc, enquanto Norris começava a reconstruir a corrida perdida no VSC.
O piloto da McLaren alcançou Russell.
O britânico da Mercedes, entretanto, estava em uma situação estratégica diferente e ainda precisaria realizar outra troca.
Na volta 29, Russell fez sua segunda parada.
Ele conseguiu retornar à frente de Piastri, na sexta posição.
A prova passou então de sua metade com vários pilotos ainda sem realizar sequer a primeira troca.
Leclerc, Lawson, Piastri, Gasly, Bortoleto, Tsunoda e Bearman permaneciam com os pneus utilizados na largada.
A estratégia de Bortoleto tornava-se cada vez mais extrema. Depois de cair para 15º na primeira volta, a Audi estendia ao máximo o primeiro stint do brasileiro, deixando aberta a possibilidade de aproveitar uma nova neutralização.
Russell consegue uma das raras ultrapassagens
Pérez entrou nos boxes para abandonar a corrida na volta 32.
Bearman finalmente parou pouco depois, começando a movimentar o grupo que havia estendido bastante os pneus duros.
Na pista, Russell chegou completamente em Lawson.
A diferença de ritmo era grande, mas ainda havia uma pergunta: seria possível transformar velocidade em ultrapassagem no Madring?
Russell mostrou que sim.
O piloto da Mercedes atacou na chicane, utilizou um traçado bastante fechado e conseguiu superar Lawson para assumir a quinta posição.
Era uma das melhores ultrapassagens de uma corrida na qual encontrar espaço havia se mostrado extremamente difícil.
Norris raspa no muro e chega em Verstappen
Tsunoda realizou sua parada quando restavam aproximadamente 20 voltas.
Norris continuava sua recuperação, mas um replay mostrou que o piloto da McLaren havia dado uma raspada no muro.
O contato não provocou danos aparentes, mas poderia ter custado caro caso atingisse a suspensão dianteira.
A Ferrari, enquanto isso, projetou para Leclerc que, mantido o cenário estratégico, o monegasco terminaria em quarto.
Alonso realizou sua segunda parada.
Alguns pilotos, porém, continuavam sem fazer a primeira.
A leitura naquele momento era clara: quem ainda estava com os pneus da largada poderia estender o stint praticamente até o limite, na esperança de que aparecesse um novo Safety Car ou VSC.
Na volta 42, a corrida ganhou duas batalhas importantes.
Norris chegou em Verstappen.
Ao mesmo tempo, Piastri estava colado em Lawson.
Piastri e Lawson finalmente param
Piastri encerrou seu gigantesco primeiro stint na volta 43.
O australiano realizou sua primeira parada e retornou entre Lindblad e Hülkenberg.
Pouco depois, conseguiu superar Lindblad e avançou para décimo, retornando à zona de pontos.
Lawson permaneceu mais algumas voltas e finalmente entrou nos boxes na 45ª passagem.
A direção de prova também colocou sob análise um episódio envolvendo Colapinto na Curva 17, depois de o argentino sair da pista e possivelmente obter vantagem.
Enquanto isso, Bortoleto continuava sem parar.
Bortoleto segura o pelotão
Na volta 47, os pneus de Bortoleto já tinham praticamente uma corrida inteira de utilização.
O brasileiro passou a segurar um grupo de carros muito mais rápidos naquele momento.
Piastri chegou tão próximo que precisou aliviar e cortar a chicane para evitar um contato.
Colapinto também atacou e conseguiu passar, subindo para oitavo e derrubando Gabriel para nono.
Na frente, outra fila começava a se formar.
Leclerc ainda não havia parado.
Atrás dele estavam Antonelli, Verstappen e Norris praticamente juntos.
A estratégia longa da Ferrari chegava ao limite justamente quando a corrida entrava em sua fase decisiva.
Audi espera até a volta 48 com Bortoleto
A aposta da Audi terminou na volta 48.
Depois de largar com pneus duros e carregá-los por quase toda a corrida, Bortoleto finalmente entrou nos boxes.
A equipe havia esperado por uma nova neutralização que nunca aconteceu.
Sem Safety Car ou VSC, o brasileiro inevitavelmente perdeu as posições que havia sustentado durante o ciclo estratégico e caiu para fora da zona de pontos.
Leclerc permaneceu mais uma volta.
Quando finalmente entrou nos boxes na volta 49, a liderança mudou definitivamente de mãos.
Antonelli era o novo líder do GP da Espanha.
Verstappen tenta reagir
Verstappen imediatamente aumentou o ritmo.
O holandês ainda acreditava na possibilidade de atacar Antonelli nas voltas finais.
Norris vinha logo atrás e também estava dentro da disputa.
Mas Antonelli respondeu.
Na volta 50, Verstappen começou a perder contato com a Mercedes.
Bortoleto, enquanto isso, apareceu novamente no radar da direção de prova. Um incidente na Curva 5 foi investigado por uma possível mudança de trajetória durante a frenagem.
Os comissários decidiram aplicar apenas um aviso ao brasileiro.
Piastri também recebeu uma bandeira preta e branca por limites de pista.
Antonelli toca o muro
Na volta 52, houve um momento de preocupação para a Mercedes.
Antonelli informou que havia tocado o muro na entrada da Curva 7.
O carro, porém, aparentemente não sofreu danos importantes e o italiano continuou na liderança.
Norris permanecia pressionando Verstappen.
A McLaren tinha velocidade, mas o britânico não encontrava espaço.
Bortoleto também recebeu uma bandeira preta e branca por limites de pista, encerrando uma corrida bastante trabalhosa para o brasileiro.
Norris pressiona Verstappen até o fim
Enquanto Antonelli conseguia abrir vantagem, a principal batalha passou a ser pelo segundo lugar.
Norris continuava colado em Verstappen.
Mais atrás, Leclerc segurava Russell na disputa pelo quarto lugar.
Hülkenberg também chegou em Lindblad, em uma batalha que valia o último ponto.
Na volta 56, o alemão conseguiu ultrapassar, mas precisou cortar a chicane e imediatamente devolveu a posição.
A direção de prova ainda analisou um incidente entre os dois na Curva 1, por Lindblad possivelmente ter forçado Hülkenberg para fora da pista, mas decidiu que não seria necessária uma nova investigação.
Verstappen também cometeu um pequeno erro.
Norris imediatamente colocou a McLaren por fora, mas novamente não conseguiu completar a manobra.
Antonelli vence no Madring
Antonelli abriu a 57ª e última volta na liderança.
Norris continuou procurando uma maneira de passar Verstappen.
Nada feito.
O holandês conseguiu fechar todos os espaços e manter a segunda posição.
Nas últimas curvas, Antonelli apenas administrou.
Kimi Antonelli venceu o GP da Espanha de Fórmula 1.
O líder do Mundial tornou-se assim o primeiro vencedor de uma corrida da categoria no Madring, aproveitando de maneira decisiva a oportunidade estratégica criada pelo Safety Car Virtual.
Verstappen terminou em segundo.
Norris completou o pódio em terceiro e deixou Madrid como o grande prejudicado pelo momento da neutralização. O britânico havia largado da pole, aberto vantagem e parecia controlar a corrida até o VSC aparecer segundos depois de ele passar pela entrada dos boxes.
Leclerc terminou em quarto e Russell completou os cinco primeiros.
Lawson foi sexto, seguido por Colapinto.
Piastri recuperou-se do contato com Russell na largada, dos danos na asa dianteira e da estratégia extremamente longa para terminar em oitavo.
Lindblad ficou em nono e Hülkenberg completou a zona de pontos.
Bortoleto terminou fora do top 10 depois de uma corrida comprometida desde a largada. O brasileiro saiu de 12º, caiu para 15º e teve dificuldades para ultrapassar. A Audi então estendeu o primeiro stint com os duros até a volta 48, apostando em uma eventual neutralização tardia. Ela não aconteceu.
Gabriel chegou a aparecer em nono durante o ciclo de paradas, mas perdeu terreno quando a ordem foi normalizada e encerrou a prova fora dos pontos.
Confira o resultado do GP da Espanha 2026, no Madring:
1) Kimi Antonelli (Mercedes)
2) Max Verstappen (Red Bull Racing)
3) Lando Norris (McLaren)
4) Charles Leclerc (Ferrari)
5) George Russell (Mercedes)
6) Liam Lawson (Red Bull Racing)
7) Franco Colapinto (Alpine)
8) Oscar Piastri (McLaren)
9) Arvid Lindblad (Racing Bulls)
10) Nico Hulkenberg (Audi)
11) Esteban Ocon (Haas F1 Team)
12) Pierre Gasly (Alpine)
13) Gabriel Bortoleto (Audi)
14) Yuki Tsunoda (Racing Bulls)
15) Alexander Albon (Williams)
16) Oliver Bearman (Haas F1 Team)
17) Fernando Alonso (Aston Martin)
18) Valtteri Bottas (Cadillac)
19) Carlos Sainz (Williams)
20) Sergio Perez (Cadillac)
21) Lance Stroll (Aston Martin)
22) Lewis Hamilton (Ferrari)
