Britânico da McLaren supera Russell em classificação marcada por tempestade e bandeiras vermelhas; punições alteram o grid, enquanto acidentes comprometem os dois brasileiros
Lando Norris conquistou a pole-position para o GP do Brasil, 20ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1, em uma classificação marcada por chuva intensa, longas interrupções e acidentes neste sábado (7), em Interlagos. O piloto da McLaren registrou 1:27.470s no Q3 e superou George Russell, da Mercedes, por 0s204. Kimi Antonelli terminou em terceiro, seguido por Charles Leclerc, Liam Lawson, Nico Hülkenberg, Isack Hadjar, Oliver Bearman, Fernando Alonso e Alexander Albon, que completaram os dez primeiros colocados.
As penalidades aplicadas antes da classificação, entretanto, modificaram significativamente o grid de largada. Russell perderá cinco posições e partirá em sétimo, permitindo que Antonelli largue em segundo e Lawson em terceiro. Leclerc, quarto colocado na classificação, cairá para 14º devido a uma punição de dez posições. Rafael Câmara, que avançou ao Q2 em sua estreia na Fórmula 1, mas sofreu um forte acidente, terminou em 13º e largará em 11º. Gabriel Bortoleto também bateu, ainda no Q1, danificou a asa traseira de sua Audi e ficou com o 22º e último tempo. Lewis Hamilton, Max Verstappen e Sergio Pérez também receberam penalidades que os colocam no fundo do grid.
Classificação
A classificação do GP do Brasil começou às 15h deste sábado, sob condições extremamente difíceis em Interlagos. A chuva, que já ameaçava o circuito desde o encerramento do TL3, ganhou intensidade justamente no momento em que os pilotos se preparavam para deixar os boxes.
A expectativa era de uma disputa bastante equilibrada depois de três treinos livres com líderes diferentes. Norris havia sido o mais rápido no TL1, Antonelli comandou o TL2 e Verstappen liderou o TL3, superando o italiano por apenas 0s025.
Entretanto, a pista molhada mudou completamente o cenário.
Além da necessidade de encontrar aderência em condições difíceis, cinco pilotos chegavam à sessão com penalidades para o grid. Verstappen e Sergio Pérez acumulavam 30 posições de punição, Hamilton tinha 65, Leclerc perderia dez e Russell, cinco.
Assim, o resultado da classificação não corresponderia necessariamente às posições de largada de domingo.
Q1
O Q1 começou pontualmente às 15h, mas durou apenas pouco mais de dois minutos antes de ser interrompido.
A chuva aumentou rapidamente de intensidade, provocando aquaplanagem e reduzindo drasticamente a visibilidade. Antonelli foi um dos pilotos que reclamaram das condições, enquanto alguns competidores chegaram a desistir de deixar os boxes.
A direção de prova acionou a bandeira vermelha com apenas 2min23s de atividade.
O cenário era de tempestade. Havia grande quantidade de água acumulada em diferentes pontos de Interlagos, inclusive no pit-lane, onde fiscais trabalharam para retirar as poças.
A chuva também atingiu fortemente as arquibancadas, levando parte do público a procurar abrigo.
Durante a paralisação, o Safety Car realizou diferentes inspeções para avaliar as condições de segurança. Bernd Mayländer relatou acúmulo significativo de água entre as curvas 2 e 3 e também na região das curvas 4 e 5.
Mesmo depois de a intensidade da chuva diminuir, a presença de água parada impediu uma retomada imediata.
A direção de prova finalmente autorizou o reinício às 16h26, mais de uma hora depois da interrupção.
Os pilotos retornaram utilizando pneus de chuva extrema, mas ainda encontraram condições delicadas. Pierre Gasly reclamou de aquaplanagem, enquanto Rafael Câmara chegou a rodar na reta oposta e também teve um contato lateral com o guard-rail, conseguindo continuar na pista.
Gabriel Bortoleto, entretanto, não teve a mesma sorte.
O brasileiro perdeu o controle da Audi, rodou e bateu com a parte traseira do carro, danificando a asa traseira. Embora tenha conseguido retornar à pista, os danos impediram que ele continuasse participando normalmente da sessão.
Com apenas uma volta rápida registrada, Bortoleto ficou sem condições de acompanhar a evolução do asfalto, que melhorava rapidamente conforme os carros retiravam água da trajetória.
O piloto da Audi terminou com 1:41.564s, na 22ª e última posição, depois de ter encerrado os três treinos livres entre os dez primeiros.
Enquanto isso, a liderança mudava constantemente.
Verstappen, Russell, Hülkenberg e Norris apareceram nas primeiras posições em diferentes momentos, aproveitando a evolução das condições.
Câmara também começou a ganhar confiança.
O estreante da Haas registrou 1:34.057s e saltou para a 11ª posição provisória. Depois, melhorou para 1:33.267s e, na parte final, completou uma volta em 1:32.949s, garantindo sua classificação para o Q2.
O resultado foi especialmente importante porque Câmara conseguiu superar Oliver Bearman, seu companheiro de equipe, em uma sessão disputada sob chuva e com pouquíssima experiência no carro de Fórmula 1.
Na frente, Norris marcou 1:30.939s e terminou o Q1 na liderança, seguido por Russell e Verstappen.
Foram eliminados Franco Colapinto, Pierre Gasly, Lance Stroll, Valtteri Bottas, Sergio Pérez e Gabriel Bortoleto.
Q2
A segunda fase começou às 16h49, ainda com a pista molhada, mas em condições melhores do que as encontradas no início da classificação.
Inicialmente, os pilotos permaneceram com pneus de chuva extrema. Russell marcou 1:30.597s e assumiu a liderança, mas os tempos começaram a cair rapidamente.
Antonelli, Norris e Leclerc também passaram pelas primeiras posições, enquanto as equipes avaliavam a possibilidade de trocar para pneus intermediários.
Câmara novamente mostrou bom desempenho.
O brasileiro registrou 1:32.349s em sua primeira tentativa e depois melhorou para 1:31.515s, chegando a ocupar a décima posição provisória.
A adaptação do estreante chamava atenção especialmente porque ele continuava competitivo em relação a Bearman, mesmo sem experiência anterior em uma classificação de Fórmula 1.
Com aproximadamente cinco minutos restantes, os pilotos começaram a retornar aos boxes para instalar pneus intermediários.
A troca provocou uma queda significativa nos tempos.
Bearman chegou a liderar com 1:29.130s, mas foi superado por Lawson, que registrou 1:27.478s. Russell respondeu com 1:26.745s e assumiu a primeira posição.
A pista estava melhorando rapidamente, e a tendência era de que as últimas tentativas definissem os classificados para o Q3.
Câmara também tentava aproveitar essa evolução.
O brasileiro iniciou uma volta que poderia colocá-lo novamente entre os dez primeiros, mas perdeu o controle do carro e sofreu uma forte batida contra a barreira de proteção.
O impacto aconteceu na região da Junção, interrompendo imediatamente a sessão com bandeira vermelha.
Pelo rádio, Câmara informou que estava bem e pediu desculpas à equipe.
A batida provocou danos significativos à barreira, exigindo trabalhos de reparação antes da sequência da classificação.
Como restava pouco tempo, a direção de prova decidiu encerrar definitivamente o Q2, sem permitir novas tentativas.
A decisão consolidou a eliminação de Hamilton, Piastri, Câmara, Lindblad, Sainz e Verstappen.
Para Câmara, o acidente interrompeu uma classificação que vinha sendo bastante positiva. O brasileiro terminou em 13º, mas havia mostrado ritmo para disputar uma vaga no Q3.
A situação também foi frustrante para Piastri, eliminado em 12º, enquanto Hamilton ficou em 11º e Verstappen terminou em 16º, sem registrar uma volta competitiva na parte final.
Russell encerrou o Q2 na liderança, seguido por Lawson e Hadjar.
Q3
Depois da interrupção para reparar a barreira danificada pelo acidente de Câmara, o Q3 começou às 17h14, com a ameaça de uma nova pancada de chuva forte.
As equipes foram alertadas de que provavelmente haveria tempo para apenas uma tentativa competitiva antes de as condições piorarem.
Apesar da quantidade de água acumulada em alguns setores, todos os dez pilotos classificados deixaram os boxes utilizando pneus intermediários.
A primeira referência veio de Fernando Alonso, com 1:30.311s, mas os tempos começaram a cair rapidamente.
Lawson assumiu a liderança com 1:28.321s, enquanto Norris respondeu com 1:28.079s.
Russell então registrou 1:27.674s, colocando a Mercedes provisoriamente na pole-position.
O piloto britânico, entretanto, ainda precisava superar sua própria penalidade de cinco posições para conseguir uma posição de largada favorável.
Norris respondeu imediatamente.
O piloto da McLaren completou sua melhor volta em 1:27.470s, superando Russell por 0s204 e assumindo a liderança do Q3.
Antonelli melhorou para 1:28.095s e garantiu a terceira posição, enquanto Leclerc marcou 1:28.289s e terminou em quarto.
Lawson ficou em quinto, com 1:28.321s, seguido por Hülkenberg, Hadjar, Bearman, Alonso e Albon.
A partir daquele momento, a chuva voltou a ganhar força.
Em poucos instantes, a precipitação se transformou novamente em tempestade, tornando impossível a melhora dos tempos.
Os pilotos retornaram aos boxes e, mesmo com o cronômetro ainda em andamento, ficou claro que não haveria condições para novas tentativas competitivas.
Russell demonstrou irritação pelo rádio depois de receber uma orientação para aliviar o acelerador durante sua volta. O britânico reclamou que queria disputar a primeira posição, mesmo com a equipe lembrando que ele estava em segundo.
Sem novas voltas rápidas, Norris confirmou a pole-position do GP do Brasil.
A marca de 1:27.470s garantiu ao britânico sua primeira posição no grid de domingo, enquanto Russell terminou a classificação em segundo e Antonelli em terceiro.
Penalidades mudam o grid e favorecem Câmara
O resultado da classificação, entretanto, sofreu alterações importantes por causa das penalidades acumuladas por cinco pilotos.
Russell, segundo mais rápido, perderá cinco posições e largará em sétimo. Com isso, Antonelli herdará a segunda posição no grid, enquanto Lawson, quinto na classificação, avançará para terceiro.
Leclerc, que terminou o Q3 em quarto, recebeu uma punição de dez posições e largará em 14º.
Verstappen, Hamilton e Pérez também terão de cumprir penalidades elevadas por alterações em componentes de seus carros, ficando destinados às últimas posições do grid.
Para Rafael Câmara, essas punições representam um ganho importante.
O brasileiro, que terminou a classificação em 13º depois de seu acidente no Q2, avançará duas posições e largará em 11º na primeira corrida de sua carreira na Fórmula 1.
O resultado é especialmente significativo diante das circunstâncias do fim de semana. Câmara estreou diretamente em Interlagos, precisou aprender o comportamento do carro da Haas durante os treinos livres e enfrentou uma classificação marcada por chuva intensa.
Gabriel Bortoleto, por outro lado, terá uma missão difícil no domingo. O brasileiro terminou a classificação em último depois de danificar sua Audi no Q1 e dependerá de uma recuperação na corrida diante da torcida.
A definição do grid também representa uma oportunidade para Lawson e Hülkenberg, que aproveitaram as condições difíceis para conquistar posições importantes.
O GP do Brasil será disputado neste domingo (8), às 14h, no horário de Brasília. A previsão indica temperaturas significativamente mais baixas do que as registradas durante os treinos livres, além da possibilidade de novas pancadas de chuva em Interlagos.
Grid de largada provisório do GP do Brasil 2026, após penalidades:
1. Lando Norris (McLaren)
2. Kimi Antonelli (Mercedes)
3. Liam Lawson (Racing Bulls)
4. Nico Hülkenberg (Audi)
5. Isack Hadjar (Red Bull Racing)
6. Oliver Bearman (Haas)
7. George Russell (Mercedes) punição de 5 posições
8. Fernando Alonso (Aston Martin)
9. Alexander Albon (Williams)
10. Oscar Piastri (McLaren)
11. Rafael Câmara (Haas)
12. Arvid Lindblad (Racing Bulls)
13. Carlos Sainz (Williams)
14. Charles Leclerc (Ferrari) punição de 10 posições
15. Franco Colapinto (Alpine)
16. Pierre Gasly (Alpine)
17. Lance Stroll (Aston Martin)
18. Valtteri Bottas (Cadillac)
19. Gabriel Bortoleto (Audi)
20. Lewis Hamilton (Ferrari) punição de 65 posições
21. Max Verstappen (Red Bull Racing) punição de 30 posições
22. Sergio Pérez (Cadillac) punição de 30 posições
