A estratégia da Ferrari no GP da Holanda 2026 da Fórmula 1, realizado no último domingo (23), deixou Lewis Hamilton frustrado, mas Charles Leclerc afirmou que nunca recebeu ordem para deixar o companheiro passar. Segundo o monegasco, a equipe chegou a orientá-lo a permanecer na pista antes de pedir novamente sua entrada nos boxes.
Hamilton se aproximou de Leclerc na metade da corrida com pneus mais novos, depois de um longo stint iniciado após a bandeira vermelha causada pela batida de Max Verstappen. Enquanto o britânico buscava avançar, Leclerc estava envolvido em uma disputa estratégica com George Russell.
Hamilton terminou em quarto, muito perto de Russell, terceiro colocado, e avaliou que o tempo perdido atrás de Leclerc poderia ter feito diferença. O piloto monegasco, porém, explicou que a prioridade naquele momento era criar uma vantagem de pneus sobre a Mercedes:
“Esse é o tipo de escolha que precisamos discutir. Para mim, o que quero analisar é mais a segunda parada, na verdade, quando estávamos pressionando George para parar, e assim que ele parou, sim, Lewis estava chegando, mas duas voltas depois fui chamado para fazer o pit”, explicou Leclerc à imprensa. “Para mim, era muito importante criar um delta de pneus em relação à Mercedes para poder voltar forte no final, e não fizemos exatamente isso, então precisamos entender o porquê.”

Leclerc disse ter ficado surpreso com a parada antecipada. “Fiquei muito surpreso em parar tão cedo, quando tínhamos feito exatamente o que queríamos. Com George parando, era a hora de fazermos cinco ou dez voltas a mais para construir um delta de tempo com os pneus e recuperar no final em cima do George.”
A comunicação da equipe mudou rapidamente: Leclerc recebeu a ordem para parar, depois foi instruído a permanecer na pista no fim da volta e, na passagem seguinte, recebeu novamente o chamado para os boxes: “Duas voltas depois, me mandaram parar, o que eu fiz, acho que três voltas depois. Não houve muito debate. Me pediram para parar, e então, no final da volta, me pediram para permanecer na pista, o que eu fiz, e na volta seguinte, me pediram para parar.”
Leclerc também negou ter recebido qualquer mensagem relacionada a Hamilton. “Não recebi nenhuma mensagem sobre [deixar Hamilton passar]. No fim das contas, eu estava focado no meu ritmo e tentando fazer o melhor possível pela minha corrida. Tive um primeiro stint muito bom. Tive que parar cedo para tentar o undercut nos caras da frente, e isso é um pouco do jogo de equipe.”
O monegasco reconheceu que Hamilton teve um ritmo forte no segundo stint e que decisões estratégicas podem gerar frustração dentro da equipe. “Às vezes você tem que se arriscar um pouco, especialmente no primeiro stint para isso, e Lewis estava muito forte no segundo stint, mas é assim que as coisas são. Então acho que às vezes vou ficar frustrado. Às vezes Lewis vai ficar frustrado, mas é assim mesmo.”
Leclerc afirmou ainda que não ficou decepcionado com a situação e atribuiu parte do resultado ao momento do safety car virtual: “É uma posição para a equipe. Não muda nada, então não é que eu esteja decepcionado ou me sentindo de alguma forma sobre isso; só pareceu que a sorte não estava realmente do nosso lado, com o momento do safety car virtual não sendo o ideal para nós.”
“Mas, ao mesmo tempo, é assim que as coisas são. Senti que antes da pausa, a sorte estava um pouco ao meu lado por duas ou três corridas, e às vezes você conhece o outro lado da moeda, o que aconteceu [no GP da Holanda]”, finalizou o piloto.
