Marc Márquez e Fabio Quartararo estariam liderando um movimento de pilotos contra a realização do GP do Catar de MotoGP, diante das preocupações com a segurança provocadas pelo conflito no Oriente Médio. Segundo informações divulgadas pelo GPOne e outros veículos, 19 dos 22 competidores do grid de 2026 teriam assinado uma carta manifestando oposição à disputa da corrida.
A mobilização aumenta a pressão sobre a organização do campeonato, que mantém a intenção de realizar a etapa em Losail. O movimento também acontece em meio a relatos de que a Federação Internacional de Motociclismo (FIM) teria ameaçado suspender das duas últimas etapas da temporada os pilotos que se recusassem a competir no Catar.
De acordo com o Motorsport.com, a entidade teria apresentado um ultimato aos competidores, com a possibilidade de impedir sua participação nos GPs de Portugal e de Valência, na Espanha. A informação surge enquanto continuam as negociações reservadas entre representantes dos pilotos e responsáveis pelo campeonato.
Márquez e Quartararo são apontados como as principais lideranças do protesto, embora o espanhol tenha evitado se posicionar diretamente em público sobre as discussões. Questionado pelo jornal AS durante o GP da Malásia, ele explicou por que prefere não comentar determinados assuntos.
“Quando não posso dizer o que penso, não quero falar. Então, em vez de expressar algo que não é verdade, simplesmente fico em silêncio”, afirmou Márquez.
O piloto também destacou que suas prioridades mudaram após enfrentar problemas físicos, fazendo uma reflexão sobre os riscos envolvidos no esporte.
“Desde a minha lesão, entendi que a vida é uma só e o corpo é um só, enquanto existem muitas carreiras e momentos. Você pode procurá-los, criá-los e aproveitá-los, mas, para mim, a vida é sempre a prioridade”, acrescentou.
Seu irmão, Álex Márquez, adotou uma postura mais explícita. O piloto da Gresini tem sido uma das vozes mais críticas à realização da corrida e, segundo os relatos, estaria tentando antecipar uma cirurgia na clavícula para ter uma justificativa médica para não participar da etapa.
Ao comentar a mobilização, Álex ressaltou que as preocupações não se limitam aos competidores, mas também envolvem outras pessoas que trabalham no campeonato.
“Quando nós, pilotos, nos unimos, não estamos lutando apenas pelos pilotos, mas por todo o paddock. Porque acho que existe uma união de cerca de 85% do paddock, eu diria, mais ou menos, ou talvez 70%, que preferiria não ir”, declarou.
“Mas é assim que as coisas estão, e estamos aqui, esperando para ver como a situação evolui, porque ninguém sabe”, completou.
Apesar da resistência relatada entre os pilotos, a MotoGP e os organizadores locais continuam defendendo que existem condições de segurança para realizar a corrida.
Durante o fim de semana do GP da Malásia, vencido por Márquez, Carlos Ezpeleta, diretor-adjunto da MotoGP, visitou o Circuito Internacional de Losail. A presença do dirigente foi divulgada por Abdulrahman Al Mannai, CEO do Qatar Social and Sporting Contributions Fund.
“Estamos muito felizes por ter recebido Carlos Ezpeleta no Circuito Internacional de Losail. A contagem regressiva começou, e estamos prontos para receber novamente os pilotos, as equipes e os fãs no Catar”, escreveu Al Mannai nas redes sociais.
A visita reforça a posição dos organizadores de manter a etapa, apesar das manifestações contrárias relatadas nos bastidores. Por outro lado, a carta atribuída à maioria dos pilotos e as informações sobre possíveis suspensões mostram que ainda há divergências importantes entre os envolvidos.
Até o momento, não há confirmação de que a mobilização tenha provocado alguma mudança na programação do GP do Catar. As negociações continuam, enquanto a organização sustenta que a corrida pode acontecer com segurança e os pilotos aguardam uma definição sobre suas preocupações.
