México já celebrou vitória na F1 e triunfo em casa na Copa do Mundo no mesmo dia

Celebrar uma vitória de sua seleção na Copa do Mundo é sempre bom, assim como comemorar um triunfo de um piloto de seu País na Fórmula 1. Mas o México, que recebe nesta quinta-feira (11), a partir das 16h, a abertura do Mundial de Futebol contra a África do Sul, no estádio Azteca, celebrou triunfos no campo e na pista no mesmo dia há longínquos 56 anos.

Pedro Rodríguez
Foto: Formula 1

O ano era 1970 e o México recebia pela primeira vez uma Copa do Mundo, com grandes expectativas para o desempenho da Tricolor. Já a Fórmula 1 visitava Spa-Francorchamps para a disputa da quarta etapa daquela temporada, em uma época de apenas 13 GPs e com Pedro Rodríguez no grid, defendendo a equipe BRM.

A temporada não havia começado bem para Rodríguez. Nos três primeiros GPs do ano, o mexicano havia somado apenas um ponto, com o sexto lugar. Em um Spa-Francorchamps com 14.100 metros, o final de semana não começou bem para o piloto, que largou da terceira fila com a sexta posição, em uma era em que as filas ímpares tinham três carros e as pares apenas dois.

Na corrida, porém, o piloto da BRM mostrou muita força. Na quinta volta, Rodríguez assumiu a liderança ao superar Chris Amon na Blanchimont, não perdendo mais a ponta para faturar sua primeira vitória naquela temporada e a segunda e última da carreira, fechando um final de semana marcado pela morte de Bruce McLaren após um acidente durante um teste em Goodwood. O resultado fez o mexicano avançar ao terceiro lugar daquele campeonato.

Longe dali, no Estádio Azteca, o México fazia sua segunda partida na Copa do Mundo, enfrentando El Salvador em confronte de duas equipes das Américas do Norte e Central, o que não ocorre atualmente por regulamento. A Tricolor havia estreado com um empate sem gols contra a União Soviética. Mas os mexicanos não deram chances e golearam os salvadorenhos por 4 a 0, conquistando a primeira vitória naquela edição.

Os mexicanos ainda venceriam na primeira fase a Bélgica por 1 a 0, também no Azteca. Segunda colocada em um grupo liderado pelos soviéticos, o time foi a Toluca nas quartas de final e acabou eliminada após levar 4 a 1 da Itália, que perderia a decisão para o Brasil uma semana depois.

O Azteca vai se tornar o primeiro estádio do mundo a receber jogos de três Copas do Mundo. Além de 1970 e de 2026, o estádio na Cidade do México recebeu jogos em 1986. Por lá, Pelé se consagrou tricampeão mundial e Maradona, além de estar no elenco do bicampeonato da Argentina, marcou o gol mais bonito da história das Copas, o segundo contra a Inglaterra, no mesmo jogo em que fez o gol com a “Mão de Deus”.

De lá para cá o México nunca passou perto de conquistar um título mundial de futebol, mesmo tendo bons times. O título mundial também nunca veio na Fórmula 1. Mais do que isso, o país voltaria a ter um piloto vencendo corridas 50 anos depois com Sergio Pérez, vencedor do GP de Sakhir de 2020 pela Racing Bulls. “Checo”, atualmente na Cadillac, se sagraria vice-campeão em 2023.

Pedro e o irmão, Ricardo, também são lembrados até hoje no México e, por que não, no mundo. Os dois dão nome ao autódromo na Cidade do México, o Hermanos Rodríguez, casa da F1 no México.