A situação de Frederic Vasseur na Ferrari ganhou um ingrediente curioso depois do GP do Azerbaijão no último sábado (26). Ao falar sobre seu futuro, o francês afirmou que a decisão “não está em minhas mãos”. A frase lembrou o que Mattia Binotto disse no fim de 2022, quando também deixou claro que não cabia a ele decidir sobre sua permanência. Poucos dias depois, a Ferrari anunciou sua saída.
Vasseur conversou com a imprensa na noite de sábado, após a corrida. Apesar da pressão, o francês não demonstrou estar cansado do cargo e ainda definiu o trabalho na Ferrari como o “melhor trabalho do mundo”. Mesmo assim, as especulações continuam, principalmente porque o nome de Christian Horner surgiu como opção.
O momento também chama atenção porque Vasseur era justamente um dos nomes cotados para substituir Binotto em 2022. A pressão aumentou nas últimas semanas da temporada e, depois do GP de São Paulo, começaram a surgir relatos de que ele poderia perder o cargo. Em 15 de novembro de 2022, a Ferrari tentou colocar fim aos rumores com um comunicado: “Em relação às especulações em certos veículos de mídia sobre a posição do chefe de equipe da Scuderia Ferrari, Mattia Binotto, a Ferrari declara que esses rumores são totalmente infundados”.

Dias depois, Binotto voltou a ser questionado sobre o assunto em Abu Dhabi. Sua resposta hoje soa familiar para quem acompanha as declarações de Vasseur: “Obviamente, não cabe a mim decidir”, disse ele, na coletiva de imprensa do Grande Prêmio de Abu Dhabi. “Mas estou bastante tranquilo. A razão pela qual estou tranquilo é que sempre terei discussões abertas, francas e construtivas com meus chefes, o presidente [da Ferrari] [John Elkann] – não apenas no curto prazo, mas no médio e longo prazo.
Em 29 de novembro, a Ferrari anunciou sua renúncia.
A situação contratual é outro detalhe que chama atenção. Binotto ainda tinha contrato até o fim de 2023 quando os rumores sobre sua saída começaram. Vasseur, por sua vez, renovou seu vínculo por vários anos na temporada passada, em um acordo entendido como válido pelo menos até o fim de 2027. Isso não significa, porém, que um contrato longo seja garantia de permanência. O próprio caso de Binotto mostrou isso em 2022.
A principal diferença está na maneira como os dois têm reagido à pressão. Binotto repetia que estava tranquilo. Vasseur, por outro lado, já demonstrou irritação com a quantidade de vezes que precisa responder sobre seu futuro na Ferrari: “A cada entrevista, 25 vezes por dia, voltamos a isso.”
Ainda restam sete corridas na temporada, e o que aconteceu com Binotto não determina o que acontecerá com Vasseur. As circunstâncias são diferentes e o futuro do francês continua em aberto.
