A McLaren não gostou da grande oscilação da asa traseira do carro de Esteban Ocon, no final do GP do Canadá de Fórmula 1, com a equipe pronta para buscar uma explicação da FIA.
Enquanto perseguia Ocon pela oitava posição nos momentos finais da corrida, Lando Norris relatou que a asa traseira da Alpine de Ocon, estava balançando muito mais do que o normal, algo que foi mostrado durante a transmissão na TV.
O chefe da equipe McLaren, Andrea Stella, disse que a equipe observou o movimento da asa traseira da Alpine, e considerou como sendo um movimento ‘extremo’, e operando além de suas capacidades de design.
“Foi extremo”, disse Stella à imprensa. “Quando Lando relatou e começamos a observar, havia algo quebrado naquela asa. Não pode balançar assim, estava fora de seu comportamento normal. Isso não pode ser aceito pela FIA, e nem pela própria equipe. Tenho certeza de que aquela asa não estava operando dentro do planejado.”
Stella disse que é responsabilidade das equipes garantir que a construção de suas asas atenda aos requisitos da FIA, mas admite que isso pode ser interpretado de maneira diferente por cada competidor.
“Você precisa conhecer a construção do seu carro, então você precisa se perguntar: ‘Eu testei meu carro, meu componente nesta condição?’ É muito provável, que a resposta seja ‘Não’, naquele caso”, acrescentou. “Acho que aqui vem um senso de responsabilidade, que cada equipe pode interpretar de uma maneira diferente.”
Por outro lado, a Alpine diz que está confiante de que seu design de asa traseira atende a todos os critérios, tendo passado por testes de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) antes de ir para a pista.
“A retrospectiva é uma coisa maravilhosa, pois a asa não quebrou, ficou lá”, disse o chefe da Alpine, Otmar Szafnauer, à imprensa.
“Nós projetamos essa asa e a fabricamos, então esse modo de falha provavelmente era mais familiar para nós, e estamos felizes por não quebrar”, disse ele.
“Nós testamos isso em P&D e o submetemos a esses testes, apenas por causa da maneira como é montado. Portanto, vemos esses tipos de comportamentos e entendemos se vai quebrar ou não, então estamos felizes que com todos os testes que fizemos, não quebrou”, acrescentou.
Szafnauer confirmou que a equipe consultou a FIA quando o assunto foi levantado, mas disse estar confiante em sua integridade estrutural nos estágios finais da corrida.
“Conversamos sobre isso e a FIA também veio até nós e disse: ‘Parece que sua asa traseira está se movendo’, mas estava tudo bem”, disse o chefe da Alpine.
Os comissários já acionaram bandeiras pretas e laranjas para pilotos com asas danificadas e peças soltas. Quando isso essa bandeira é acionada, o piloto deve parar para reparar os danos ou arriscar uma nova penalidade dos comissários. Foi o que aconteceu com a Alpine no GP dos EUA no ano passado, quando Fernando Alonso recebeu uma penalidade pós-corrida de 30 segundos, após um protesto da Haas por causa do espelho direito que estava solto.
A penalidade foi posteriormente anulada, pois a Haas fez o protesto fora da janela de 30 minutos após a corrida, porque eles foram erroneamente informados pelo Diretor de corrida, Niels Wittich, que o prazo para fazer o protesto era de uma hora após o final da prova.
O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, disse mais tarde que revisaria o uso de bandeiras pretas e laranjas, que obrigam as equipes a chamarem os pilotos nos boxes para reparar danos. Stella acredita que há um conflito de interesses quando as equipes decidem se vão parar o carro ou não.
“Depois do episódio que aconteceu no ano passado em Austin com o retrovisor da Alpine, a direção de prova deixa o dever de cuidado para as próprias equipes”, disse Stella.
“É complicado quando as equipes estão em uma disputa e você tem um conflito de interesses em termos de segurança de todos os envolvidos, e a maximização do seu resultado”, acrescentou.
Stella confirmou que isso será discutido entre as equipes na próxima reunião do Comitê Consultivo Esportivo, que dá às equipes a oportunidade de revisar regras e regulamentos.
“Esse é um debate que reservamos, e garantimos que na próxima Comissão Consultiva Desportiva, será novamente levantado. Como Lando disse algumas vezes, não é bom quando você segue um carro com uma asa traseira oscilante, com isso podendo quebrar e bater em você que está atrás, e nenhuma penalidade acontece”, finalizou Stella.
