Brasileiro completa apenas dez voltas no TL2 após ficar fora do TL1; problemas técnicos comprometem preparação para classificação.
Gabriel Bortoleto enfrentou uma das sextas-feiras mais complicadas de sua temporada 2026 na Fórmula 1. O brasileiro praticamente não conseguiu trabalhar na preparação para o GP do México, depois de ceder seu carro a Freddie Slater no TL1 e enfrentar problemas técnicos que o mantiveram na garagem durante quase toda a segunda sessão.
O resultado foi uma diferença expressiva de quilometragem em relação a Nico Hülkenberg. Enquanto o alemão completou 27 voltas no primeiro treino e outras 33 no segundo, totalizando 60, Bortoleto conseguiu percorrer apenas dez voltas ao longo do dia.
A situação representa um prejuízo importante para o brasileiro, especialmente porque o Autódromo Hermanos Rodríguez apresenta características particulares que exigem uma preparação cuidadosa.
Na primeira atividade, Bortoleto ficou fora da pista porque a Audi colocou Freddie Slater em seu carro, cumprindo parte das obrigações regulamentares de participação de jovens pilotos.
Entretanto, a sessão do novato foi prejudicada por problemas relacionados ao sistema de refrigeração. A equipe identificou um componente utilizado no resfriamento que havia permanecido instalado no carro, comprometendo o fluxo de ar.
Slater conseguiu completar apenas 14 voltas e terminou em 21º, com 1:20.945s.
A expectativa era que Bortoleto recuperasse parte do tempo perdido durante o TL2, mas novos problemas impediram o brasileiro de iniciar normalmente sua programação.
Desde os primeiros minutos, os mecânicos da Audi trabalharam no carro, enquanto Hülkenberg e os demais pilotos acumulavam voltas.
Os relatos iniciais apontavam para uma possível dificuldade eletrônica, aparentemente sem relação direta com o problema enfrentado por Slater. Durante a sessão, também houve movimentação dos mecânicos na região traseira do carro, mas a equipe não havia confirmado a causa definitiva da falha.
Bortoleto chegou a entrar no cockpit enquanto os profissionais tentavam encontrar uma solução. Em determinado momento, parecia que finalmente deixaria a garagem, mas os monitores foram novamente colocados diante do piloto e o trabalho continuou.
Somente quando restavam aproximadamente 14 minutos para o encerramento do TL2, o brasileiro conseguiu entrar na pista.
Sua primeira volta cronometrada foi de 1:21.916s, suficiente apenas para a última posição.
Depois de retornar aos boxes, Bortoleto recebeu pneus macios e conseguiu melhorar para 1:20.174s. Ainda assim, permaneceu em 22º, a 2s347 do tempo estabelecido por Charles Leclerc, líder da sessão.
Hülkenberg, por sua vez, registrou 1:19.023s e terminou em 15º. A diferença entre os dois pilotos da Audi foi de 1s151, mas o resultado precisa ser analisado considerando a enorme diferença de preparação disponível.

Enquanto o alemão conseguiu trabalhar durante as duas sessões, Bortoleto teve apenas alguns minutos para avaliar o comportamento do carro e tentar encontrar uma referência de desempenho.
Essa diferença é particularmente importante no México por causa das alterações realizadas no circuito para 2026.
Boa parte do asfalto foi renovada, modificando as características de aderência e desgaste dos pneus. Além disso, a altitude de aproximadamente 2.285 metros influencia o comportamento aerodinâmico e a refrigeração dos carros.
A Pirelli também trouxe uma seleção mais macia de compostos, com C3, C4 e C5. A avaliação dessas opções é fundamental para definir o acerto e as estratégias de corrida.
Com tão pouca quilometragem, Bortoleto perdeu oportunidades importantes de compreender como sua Audi responde às diferentes condições da pista.
O prejuízo também ocorre em um momento relevante para a equipe no Mundial de Construtores.
A Audi chegou ao México com 23 pontos, ocupando a oitava colocação. A Haas aparece imediatamente à frente, com 30, enquanto a Williams está atrás, com 12.
Portanto, a equipe alemã está sete pontos atrás da Haas e possui uma vantagem de 11 sobre a Williams. Com cinco corridas restantes, cada oportunidade de pontuação pode influenciar a classificação final.
No Mundial de Pilotos, Hülkenberg soma 13 pontos, contra dez de Bortoleto. A diferença de apenas três pontos mostra que os dois companheiros de equipe permanecem próximos na classificação, apesar dos diferentes resultados ao longo do campeonato.
O GP do México oferece, portanto, uma oportunidade importante para a Audi buscar uma recuperação, mas os acontecimentos da sexta-feira complicaram os planos de Bortoleto.
O brasileiro dependerá especialmente do TL3 para recuperar parte do trabalho perdido e encontrar um acerto competitivo antes da classificação.
A prioridade da equipe será garantir que o carro esteja em condições de completar a sessão sem novos problemas.
Depois de uma sexta-feira em que praticamente não conseguiu andar, Bortoleto terá de acelerar seu processo de adaptação ao circuito e tentar reduzir a diferença para Hülkenberg em um espaço de tempo bastante limitado.
