O chefe da equipe Red Bull, Christian Horner, afirmou que o atual calendário da Fórmula 1 está próximo de um ‘ponto de ruptura’.
A F1 havia agendado inicialmente um calendário recorde de 24 corridas em 2023, mas isso foi prejudicado pelo anúncio de que a etapa chinesa havia sido cancelada devido à política de entrada no país, sendo ainda muito restritiva por causa do Covid-19.
Esse número de corridas deve ser reduzido ainda mais em 2023 com a confirmação de ontem que o GP da Emília-Romanha deste final de semana não será realizado, devido às chuvas e inundações excessivas na região, e dificilmente será realocado para outra data ainda este ano.
No entanto, antes da corrida em Ímola ser cancelada, Horner afirmou que 23 corridas seriam o limite máximo que a categoria poderia atingir, em meio a temores de colocar uma carga de trabalho extrema nas respectivas equipes.
Após a recente realização de duas corridas consecutivas, uma no Azerbaijão e outra em Miami, Horner aponta que melhorias logísticas no calendário devem ser priorizadas.
“Eu acho que para mim, 23 é o máximo”, disse Horner ao Financial Times antes do cancelamento da corrida em Ímola. “Quero dizer, estamos prestes a entrar em uma rodada tripla, logo depois de uma rodada dupla.”
“Acabamos de sair do Azerbaijão e ir para Miami, e depois voltamos para três corridas na Europa. Essa programação de viagens é brutal. Acho que você chega a um ponto em que 23 domingos por ano, as pessoas tiram duas horas da tarde ou da noite de domingo para acompanhar. É um grande compromisso seguir uma temporada inteira, eu acho. Então acredito que isso (23 corridas) é o suficiente”, afirmou o chefe da Red Bull.
Horner também criticou o CEO da F1, Stefano Domenicali, por priorizar a adição de novos locais luxuosos, como Miami e o novo evento em Las Vegas este ano, em vez das pistas históricas.
Existem dúvidas concretas sobre a continuação de Spa-Francorchamps no calendário da F1 além desta temporada, enquanto os futuros de Silverstone e Monza estiveram sujeitos a especulações no passado sobre os custos crescentes necessários para realizar um GP.
Hockenheim na Alemanha tem sido uma falta notável do calendário desde 2019, e um sistema de rodízio entre alguns circuitos foi apontado como uma possibilidade.
“Eles jogam o mesmo truque todos os anos”, disse Horner. “Ele (Domenicali) disse: ‘Não podemos perder Mônaco, não podemos perder Monza, não podemos perder Silverstone. Mas OK, vamos para Las Vegas e Miami’. Eles continuam apresentando ótimos locais e ótimas corridas, e é difícil dizer não, mas você chega a um ponto em que se pergunta onde fica a supersaturação, e 23 GPs já é uma quantidade insana de corridas e quilometragem que temos que cobrir em uma temporada.”
A África do Sul registrou seu interesse em conseguir um retorno da F1 ao país pela primeira vez desde 1993, e sua proposta recebeu o apoio do heptacampeão, Lewis Hamilton.
No entanto, Horner está convencido de que seria ideal incorporar circuitos novos ou mesmo antigos, com alternância entre os locais atuais, em vez de aumentar ainda mais o calendário.
Ele acrescentou: “Acho melhor ter alternância entre os locais existentes, do que simplesmente continuar adicionando mais e mais, porque você chega a um ponto de ruptura, do qual não acho que estamos tão longe”, finalizou Horner.
