O GP da Itália de 2026 começou com uma cena que parecia improvável: uma Alpine na pole position em Monza, diante de uma torcida esperançosa pela Ferrari. Quando Pierre Gasly fez a volta de 1min21s786 e bateu George Russell por apenas 0s060, a Fórmula 1 viveu um momento para entrar na memória. Era a primeira pole da carreira do francês e também a primeira da Alpine desde que a equipe assumiu a identidade atual.
Gasly não chegava como favorito. A pole nasceu da combinação entre uma Alpine que encontrou desempenho em uma volta, o bom acerto para as longas retas de Monza e uma volta praticamente perfeita do francês. O resultado também tinha um peso especial depois da frustração de Mônaco, quando Gasly perdeu um pódio após uma decisão da FIA (Federação Internacional de Automobilismo).

Mas a pole de Gasly foi muito além de um momento marcante. Ela foi um prenúncio de uma corrida de muito peso para o campeonato, tanto nos pontos quanto nas relações entre equipes, principalmente para a Ferrari.
A equipe chegava ao seu GP de casa com motivos para acreditar em um bom resultado. Leclerc e Hamilton haviam feito dobradinha no primeiro treino livre, e a Ferrari levou uma nova atualização de motor para Monza. Na classificação, porém, Leclerc ficou em quarto e Hamilton em quinto, ambos cerca de dois décimos atrás de Gasly. Hamilton, inclusive, escapou por apenas 0s001 da eliminação no Q2 diante de Gabriel Bortoleto.
Ainda havia tempo para reagir no domingo. Mas a Ferrari praticamente desmontou sua própria corrida nas primeiras voltas.
Hamilton e Leclerc chegaram lado a lado na primeira chicane, e o britânico acabou escapando para a área de escape e despencando para o 11º lugar. O episódio deixou Hamilton claramente incomodado. Pouco depois, Leclerc se envolveu na disputa com Oscar Piastri e Max Verstappen, perdeu o controle na Parabólica e bateu forte. O acidente provocou a bandeira vermelha e interrompeu a prova. Leclerc saiu ileso, mas a Ferrari sofreu um duro golpe.

Depois da corrida, Hamilton fez críticas duras e pediu mudanças na comunicação e no gerenciamento da batalha entre ele e o monegasco. O heptacampeão mundial chegou a dizer que era preciso rever a forma como a Ferrari conduz esse tipo de situação. Para uma equipe que busca voltar ao topo, foi um sinal incômodo, principalmente em uma prova tão importante como Monza.
Mas toda a confusão com a Ferrari deu início a um verdadeiro efeito dominó na corrida. A bandeira vermelha provocada por Leclerc reorganizou o cenário. Antonelli, que havia largado originalmente em 19º por causa de uma punição relacionada à unidade de potência, voltou para a pista na 12ª posição no grid da relargada. A partir dali, o italiano começou a avançar. Gasly deixou de ser protagonista, a Ferrari saiu da disputa pela vitória, e Russell passou a parecer cada vez mais confortável na liderança.
Só que outra peça caiu mais tarde e alterou novamente o jogo. O abandono de Lance Stroll provocou um safety car virtual, e a Mercedes aproveitou a situação de maneiras diferentes com seus dois carros. Antonelli conseguiu fazer uma parada favorável e colocar pneus médios novos, enquanto Russell permaneceu na pista com os pneus duros usados. A decisão de Russell não era absurda, mas o cenário mudou rápido demais. Com pneus em melhores condições, Antonelli começou a reduzir a vantagem do companheiro até assumir a ponta.
Russell ainda terminou em segundo, mas a oportunidade de transformar Monza em uma recuperação importante no campeonato desapareceu. Em vez de diminuir a diferença para Antonelli, viu o companheiro abrir ainda mais vantagem. O italiano chegou a 267 pontos contra 201 de Russell, uma diferença de 66 pontos.

A vitória de Antonelli não aconteceu simplesmente porque ele largou em 19º e foi mais rápido que todo mundo. A corrida foi oferecendo novas oportunidades conforme outras histórias desmoronavam. Gasly fez o impossível no sábado, mas não tinha carro para sustentar aquilo no domingo. Leclerc colocou a Ferrari fora da disputa. Russell se prejudicou na estratégia.
Antonelli foi quem soube aproveitar todas essas mudanças. Isso não diminui sua vitória. Pelo contrário. Foi, talvez, o maior feito de sua jovem carreira.
Max Verstappen, por sua vez, conseguiu um terceiro lugar que recoloca a Red Bull na conversa depois de um fim de semana que não parecia apontar para um resultado tão forte. Lando Norris também merece crédito pelo quarto lugar, especialmente depois dos problemas enfrentados na classificação. Oscar Piastri fechou em quinto, enquanto Hamilton salvou um sexto lugar que, dadas as circunstâncias, pouco serviu para aliviar a frustração da Ferrari.
Outros destaques
Gasly foi, naturalmente, o grande nome fora das equipes de ponta. A pole não virou pódio, mas isso não apaga o tamanho da atuação de sábado. A Alpine mostrou que as atualizações recentes podem ter encontrado uma janela muito competitiva, e Gasly voltou a colocar seu nome no centro da conversa justamente em um circuito onde já havia vencido em 2020.
A Racing Bulls também teve um domingo bastante positivo, colocando Arvid Lindblad em oitavo e Yuki Tsunoda em décimo. Franco Colapinto terminou em nono e conseguiu se recuperar depois de um fim de semana complicado, enquanto Gabriel Bortoleto ficou em 11º, novamente muito perto da zona de pontuação, ainda sofrendo com as largadas da Audi.
Do outro lado, a Aston Martin teve uma das piores tardes do grid. Lance Stroll abandonou por problemas hidráulicos, enquanto Fernando Alonso também não conseguiu completar a prova. Em uma pista que cobra muito das unidades de potência, a equipe sofreu para acompanhar o ritmo dos adversários.
