Interlagos e NASCAR Brasil: uma combinação difícil de contestar

Existe uma pergunta no automobilismo que parece ter apenas uma resposta: Interlagos combina com qualquer categoria? Sim.

Mas alguns campeonatos conseguem deixar essa resposta ainda mais completa. Interlagos e NASCAR Brasil Series combinam? Sim, é praticamente uma combinação perfeita — ainda que o ‘perfeito’ dependa sempre do ponto de vista de quem assiste e de quem pilota. O que a terceira etapa da temporada 2026 mostrou foi que a pista paulistana amplifica o que a NASCAR Brasil já entrega por natureza: intensidade e imprevisibilidade.

Desde a sexta-feira de treinos, o que chamou atenção foi a dificuldade de qualquer piloto ou equipe em se distanciar do restante do pelotão. Uma tendência que já vinha aparecendo na etapa anterior, depois da adaptação dos pilotos ao RiSE26. Por isso, ficou claro que o segredo do fim de semana em Interlagos não seria velocidade, e sim leitura de corrida.

Interlagos e NASCAR Brasil: uma combinação difícil de contestar
Foto: NASCAR Brasil

Na tarde de sábado, Cacá Bueno fez essa leitura com precisão e garantiu a vitória na Sprint Race, que definiu a pole position da etapa. O formato segue cumprindo bem seu papel de aquecer o público e preparar a narrativa para o domingo, como uma prévia

No dia seguinte, a “terra da garoa” fez jus ao apelido e mudou o cenário da Corrida 1. A pista, no meio termo entre seca e molhada, exigia adaptação constante dos competidores. E foi exatamente aí que a vitória de Nicolas Costa começou a ser construída — mais pela leitura do que pela imposição. A prova também deixou evidente o espaço que a NASCAR Brasil vem abrindo para novas histórias, já que o principal adversário na parte final foi o novato Murilo Rocha, que pressionou até o fim e cruzou em segundo.

Já na Corrida 2, a dinâmica foi fortemente marcada pelas bandeiras amarelas. Nem sempre isso ajuda o ritmo da prova, mas a NASCAR Brasil, inspirada na NASCAR dos Estados Unidos, trabalha bem essa realidade ao insistir na decisão em bandeira verde até o fim. Isso evita corridas “resolvidas no safety car” e mantém viva a ideia de que o resultado precisa ser decidido na pista.

Ao longo da prova, a liderança passou por mãos diferentes até se estabilizar em Thiago Camilo, que parecia ter construído uma vitória sólida dentro do contexto da corrida. Porém, nos metros finais, Nicolas Costa novamente encontrou espaço onde parecia impossível, usando bem o vácuo e os boosts de potência. A ultrapassagem por nove milésimos fechou o fim de semana em Interlagos com chave de ouro.

Interlagos e NASCAR Brasil: uma combinação difícil de contestar
Foto: NASCAR Brasil

Além da pista, outro ponto positivo do fim de semana em São Paulo foram as ativações com o público. Quem esteve em Interlagos, além da tradicional visitação aos boxes, pôde conhecer o troféu da NBA, o famoso “Larry”, em mais uma iniciativa da NASCAR Brasil na aproximação com o universo dos esportes norte-americanos. Destaque também para a homenagem a Kyle Busch, um dos grandes nomes da NASCAR dos Estados Unidos.

Trazer uma marca como a NASCAR para Interlagos não é simples. Há alguns anos, a dúvida era se esse produto, com identidade tão forte norte-americana, se encaixaria em uma pista tão simbólica para o automobilismo brasileiro. Hoje, talvez a pergunta seja outra: Interlagos é perfeita para a NASCAR Brasil?

Talvez não precise ser perfeita. Interlagos e NASCAR Brasil não funcionam nessa lógica. Funcionam na imprevisibilidade. E, nesse critério, a combinação segue sendo difícil de contestar.