Toto Wolff, chefe da Mercedes na Fórmula 1, criticou duramente os pilotos da MotoGP que manifestaram preocupação com a segurança para disputar o GP do Catar neste fim de semana. O dirigente afirmou que os competidores não têm conhecimento suficiente sobre a situação geopolítica da região e defendeu que a realização das corridas seja avaliada pelas autoridades responsáveis.
A polêmica acontece três semanas antes da passagem da Fórmula 1 pelo mesmo circuito. A etapa da MotoGP estava originalmente marcada para abril, mas foi adiada após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã. Agora, o receio de uma retomada das hostilidades voltou a crescer após os resultados das eleições legislativas americanas realizadas nesta semana.
A maioria dos pilotos da MotoGP pediu garantias de segurança para competir no Catar. A preocupação também provocou uma ausência importante: a Yamaha anunciou no domingo que não participaria da etapa por considerar os riscos na região, deixando quatro motos fora do evento.
Wolff, entretanto, declarou confiar nas avaliações do CEO da Fórmula 1, Stefano Domenicali, e do presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, para determinar se existem condições adequadas para a realização da corrida.

“Stefano e Mohammed foram bastante claros sobre a situação, que a Fórmula 1 segue as diretrizes internacionais, seja em relação a restrições de viagem, companhias aéreas que não estejam operando ou quaisquer alertas na região”, afirmou.
O austríaco também mencionou a importância das informações fornecidas pelos governos locais, além das avaliações dos promotores dos eventos. Para ele, essas são as referências que devem orientar as decisões da categoria.
“Se pilotos que não sabem nada, do ponto de vista geopolítico, sobre o que está acontecendo se manifestam, mas têm um público que os escuta, acho que isso é algo que gera repercussão na mídia”, criticou.
Apesar da declaração, Wolff reconheceu que cada competidor deve ter liberdade para decidir se deseja viajar ao Catar, posição que também estendeu aos funcionários das equipes.

“Eu teria feito o mesmo que a direção da MotoGP fez. Quer correr ou pilotar, vá. Se não quiser, não vá, simples assim. Todos podem tomar suas decisões pessoais sobre isso, e eu respeito”, acrescentou.
O chefe da Mercedes admitiu ainda que o cenário de segurança pode mudar nas próximas semanas. Segundo ele, Domenicali acompanha a situação e, caso os riscos aumentem, deverá agir junto de Ben Sulayem para proteger as pessoas envolvidas na realização do GP.
Dentro da Mercedes, Wolff afirmou que ninguém manifestou preocupação com a viagem até o momento. Mesmo assim, garantiu que respeitaria a decisão de qualquer integrante que não se sentisse confortável em participar da etapa, sem consequências para a relação profissional.
Frederic Vasseur, chefe da Ferrari, adotou uma posição semelhante. O francês disse confiar na FIA e na organização da Fórmula 1, mas reconheceu que o assunto ainda não foi discutido internamente, diante da sequência de nove corridas em onze semanas.
“De qualquer forma, respeitaremos a decisão de cada integrante da equipe. Se alguém sentir alguma preocupação e não quiser ir, aceitaremos essa decisão”, afirmou Vasseur.
Assim, embora Mercedes e Ferrari expressem confiança nas autoridades responsáveis pela segurança da Fórmula 1, ambas reconhecem que a participação individual de seus profissionais dependerá também da avaliação pessoal dos riscos envolvidos na viagem ao Catar.
