A Ferrari não pretende estabelecer um piloto número 1 entre Lewis Hamilton e Charles Leclerc, mesmo após o novo momento de tensão vivido pela dupla no GP da Itália de Fórmula 1. Fred Vasseur afirmou que a decisão é estratégica e que essa política está prevista nos contratos dos pilotos.
Falando em entrevista ao L’Equipe, o chefe da equipe italiana explicou que a Ferrari optou por tratar seus dois pilotos de maneira igual, em uma filosofia semelhante à adotada pela McLaren. Para Vasseur, manter dois candidatos com condições de vencer é uma escolha deliberada, ainda que possa trazer dificuldades na disputa pelo campeonato.
“Os pilotos sabem disso muito bem quando vêm até nós. Lewis sabia. Está claro e está escrito no contrato. É uma escolha estratégica. Alguns decidem ter um piloto número 1 e um número 2, nós decidimos por dois números 1, com vantagens e desvantagens que possam haver”, afirmou Vasseur.
O dirigente também utilizou a situação da McLaren em 2025 como comparação. Segundo ele, quando Oscar Piastri tinha vantagem de trinta pontos sobre Lando Norris em Monza no ano passado, a equipe poderia ter escolhido priorizar o australiano, mas decidiu manter os dois em igualdade. Na avaliação de Vasseur, uma definição diferente poderia ter aberto caminho para mais um título de Max Verstappen.

Essa postura da Ferrari foi anunciada depois do episódio envolvendo Hamilton e Leclerc na primeira volta em Monza, quando os dois carros se tocaram e o heptacampeão acabou sendo empurrado para a caixa de brita, antes do monegasco abandonar a corrida após uma forte batida logo em seguida. O episódio aumentou a pressão para que a equipe italiana estabelecesse uma hierarquia mais clara entre seus pilotos.
Vasseur, porém, rejeita uma fórmula rígida para administrar disputas internas: “Não gosto desse princípio, porque cada situação precisa ser interpretada, e haveria discussões de qualquer maneira”, acrescentou.
Para Vasseur, o ponto central da política da equipe é o respeito: “O aspecto fundamental é o respeito, entre eles, por mim, pelos funcionários, pelos patrocinadores, mas acima de tudo, pela Ferrari”, completou o dirigente.
