A possível alteração nos motores da Fórmula 1 para 2027 recebeu apoio de Oscar Piastri, mas o piloto da McLaren acredita que a medida, sozinha, não será suficiente para resolver os problemas enfrentados pelos competidores. Para o australiano, a mudança representa um avanço, embora a solução definitiva exija alterações mais profundas na tecnologia utilizada.
Foi anunciado pela FIA antes do GP de Miami, que havia um acordo inicial para modificar a divisão de potência entre o motor a combustão e a parte elétrica das unidades de potência, já para o próximo ano. A proposta prevê uma distribuição de 60% para o motor a combustão e 40% para o sistema elétrico, substituindo o atual equilíbrio de 50% para cada componente. No entanto, a medida ainda precisa ser aprovada formalmente.
Piastri avaliou positivamente a iniciativa, mas ressaltou que ela não elimina completamente as limitações atuais. Segundo ele, mesmo em gerações anteriores de motores, quando a participação elétrica era significativamente menor, ainda existiam situações em que a energia disponível não podia ser utilizada plenamente ao longo de toda a volta.
“Eu acho que é um passo na direção certa, mas não é a solução. Mesmo com os motores anteriores, que tinham uma divisão de 80:20 ou 85:15, em alguns circuitos não tínhamos utilização total da energia em todos os lugares. Estávamos muito próximos disso, e em muitas pistas conseguíamos, mas enquanto não houver uma divisão que permita manter toda a potência elétrica disponível em qualquer ponto da volta, continuará sendo algo estranho para nós pilotos nas retas”, afirmou.
O australiano também destacou que o desafio não está apenas na proporção entre os sistemas de propulsão. Para ele, a gestão da bateria e do turbo continuará sendo um fator delicado independentemente da nova divisão de potência: “Não importa qual seja a proporção, esses problemas vão continuar existindo no início de uma volta de classificação, quando é preciso colocar a bateria no nível correto. Existe uma linha muito tênue entre começar a volta sem a carga total da bateria ou iniciar sem pressão suficiente no turbo. Não existe uma solução simples para isso”.

Na visão de Piastri, apenas mudanças físicas nos componentes poderiam eliminar completamente essas dificuldades: “Não há realmente uma solução para isso além de mudar o hardware. Essa seria a única correção completa, mas ainda assim considero essa proposta um passo na direção certa”, acrescentou.
Enquanto acompanha as discussões sobre os regulamentos futuros, o piloto da McLaren segue concentrado na busca por sua primeira vitória este ano. Piastri não vence desde o GP da Holanda de 2025, uma sequência que já dura catorze corridas. Mesmo assim, ele acredita que a equipe está próxima de voltar ao topo.
“Não é tão difícil ser paciente porque sabemos que estamos perto. Nas últimas corridas, com circunstâncias ou decisões diferentes, poderíamos ter conquistado duas vitórias como equipe. Sabemos que não começamos a temporada na melhor posição, mas encontramos nosso caminho rapidamente. Se formos perfeitos, algo que quase conseguimos recentemente, sabemos que ainda podemos vencer. É isso que estamos perseguindo”, completou.
