O alto custo do kart e seu impacto na formação de talentos da Fórmula 1 foi tema de discussão nesta quinta-feira (4) em Mônaco, durante coletiva com Max Verstappen, Esteban Ocon e Alexander Albon. Os três pilotos foram questionados sobre o papel do kart como principal porta de entrada do esporte e o crescimento dos simuladores como alternativa.
Entre as falas mais fortes, Esteban Ocon, da Haas, afirmou que os preços atuais poderiam ter impedido sua própria trajetória na Fórmula 1: “Se eu tivesse que recomeçar minha carreira e o kart fosse tão caro quanto é agora, eu não estaria aqui, com o preço que uma corrida no kart mini custa hoje. É absurdo o quão caro está. E sim, é uma pena que seja assim.”

O tetracampeão Max Verstappen também destacou o impacto financeiro do kart na formação de jovens pilotos e criticou os valores praticados atualmente. “Eu acho que, no geral, todos aprendemos muito no kart. Ainda é, claro, uma categoria ótima. O problema é que os preços estão simplesmente nas alturas. Quer dizer, as pessoas estão pagando dez, doze mil por uma rodada no mini kart. Isso é simplesmente insano, esse tipo de preço.”
O piloto da Red Bull ainda alertou que o custo elevado pode estar afastando talentos. “Isso está limitando, às vezes, talentos reais que não têm o apoio financeiro para sequer chegar aos fórmulas atualmente.”
Os pilotos também destacaram o crescimento dos simuladores na formação de novos talentos. Verstappen explicou a diferença entre sua geração e a atual, em que o aprendizado virtual já antecipa etapas importantes do desenvolvimento. Ocon sugeriu uma mudança no equilíbrio entre prática real e virtual: “Talvez agora, setenta por cento simulador e trinta por cento direção no kart real seja o caminho.”
Já Albon resumiu: “Acho que, num cenário ideal, você faria os dois, mas o problema é que o kart está ficando difícil para as pessoas fazerem ambos agora. Fico feliz que a direção no simulador seja um caminho que as pessoas possam usar hoje.”
