Lewis Hamilton chega ao GP de Mônaco de Fórmula 1, diante de uma oportunidade que pode representar seu maior sinal de força desde que ingressou na Ferrari. Após um desempenho convincente no Canadá onde conquistou o P2, o heptacampeão pode dar um passo importante dentro da equipe italiana, caso consiga superar Charles Leclerc em um dos circuitos mais favoráveis ao monegasco.
A Fórmula 1 vive um momento em que Hamilton parece cada vez mais adaptado ao carro da Ferrari. Depois de um 2025 complicado, o britânico reduziu significativamente a diferença para o companheiro de equipe em 2026 e já soma dois pódios na temporada, algo que não havia conseguido no ano passado.
No GP do Canadá, Hamilton terminou em segundo lugar e cruzou a linha de chegada 34 segundos à frente de Leclerc. Embora o monegasco tenha diminuído o ritmo nas voltas finais, o piloto britânico demonstrou maior confiança e consistência ao longo da prova, exibindo um bom controle do SF-26.
Os números também mostram uma evolução importante. Na disputa direta de classificação, Leclerc lidera por apenas 3 a 2 em 2026, contraste significativo em relação ao domínio de 19 a 5 registrado pelo monegasco na temporada passada. O avanço de Hamilton reforça a percepção de que ele está cada vez mais confortável dentro da equipe italiana.
Entretanto, o desafio em Mônaco promete ser muito maior. Leclerc construiu uma reputação de especialista nas ruas de Monte Carlo, e sempre que completou a corrida, só terminou atrás de um companheiro de equipe em uma única ocasião, em 2022, quando uma decisão estratégica da Ferrari comprometeu sua chance de vitória. Além disso, o monegasco acumula três pole positions no circuito e tem se destacado constantemente em voltas rápidas na pista em sua casa.

Hamilton, por outro lado, não viveu seus melhores momentos recentes em Mônaco. Nas últimas cinco temporadas disputadas no Principado, foi superado por companheiros de equipe em quatro ocasiões. Em 2025, por exemplo, ficou três décimos atrás de Leclerc na sessão de classificação, recebeu uma penalidade de três posições no grid de largada e terminou a corrida 48 segundos atrás do companheiro de equipe.
A atuação no Canadá também teve repercussões fora da pista. Segundo Rob Smedley, ex-engenheiro de Felipe Massa, Hamilton conseguiu exercer pressão psicológica sobre Leclerc ao ser mais rápido durante o fim de semana canadense. Para Smedley, o fato de o monegasco ter classificado aquela etapa como um de seus piores finais de semana na Fórmula 1, demonstra o impacto causado pela performance do heptacampeão.
Por isso, uma vitória particular de Hamilton sobre Leclerc em Mônaco, teria um peso muito maior do que o resultado obtido no Canadá. Além de fortalecer sua posição interna na Ferrari, o britânico poderia alterar a dinâmica de forças dentro da equipe em um momento importante da temporada, justamente quando a Ferrari busca reduzir a diferença para a Mercedes após as cinco primeiras etapas da temporada 2026.
