O GP do Brasil de Fórmula 1 já beneficiou mais de 400 mulheres com cursos de capacitação profissional na área de mecânica automotiva. O projeto, realizado em parceria com a Escola do Mecânico, chegou à quinta edição em 2026 e formou mais 60 profissionais neste ano, ampliando as oportunidades de trabalho em um setor ainda predominantemente masculino.
A iniciativa ganhou destaque nesta quinta-feira (5), quando cerca de 130 alunas e ex-alunas participaram de um encontro especial em Interlagos, às vésperas da etapa brasileira da Fórmula 1. Além de conversar com a professora e pesquisadora Djamila Ribeiro, as participantes tiveram a oportunidade de percorrer o circuito em caminhões utilizados para transportar convidados durante o evento.
Criado em 2022, o programa oferece bolsas de estudo para mulheres em situação de vulnerabilidade social. A ação conta com a participação do Espaço Feminismos Plurais, de Djamila Ribeiro, apoio da Mubadala Capital e formação técnica conduzida pela Escola do Mecânico.
Para Djamila, o projeto representa uma oportunidade de transformação que ultrapassa a qualificação profissional, permitindo que mulheres ocupem espaços antes considerados inacessíveis.
“O impacto desta ação é difícil de mensurar porque melhora tanto a autoestima quanto o fortalecimento econômico destas mulheres, na possibilidade de ampliar o horizonte para espaços onde elas nunca imaginaram estar, como aqui no autódromo. É algo que as emociona porque é um espaço que elas viam como impossível”, afirmou.
Um exemplo concreto dos resultados é Josefa de Fátima, de 52 anos. Formada há dois anos, ela conseguiu emprego na Pirelli depois de concluir o curso, trabalhando com freios, suspensão, alinhamento, balanceamento e troca de pneus.
A experiência permitiu que Josefa, fã de Lewis Hamilton, desse um novo passo profissional. No início de 2026, ela abriu uma borracharia com o marido no Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo, e agora pretende envolver os dois filhos no negócio.
“Estou me aperfeiçoando em conserto de pneus. Trabalho com o meu esposo, que já entendia um pouco do assunto. E agora vou incluir os meus dois filhos. Todo mundo tem profissão agora. Já dá para ganhar um dinheirinho”, contou.
Fundadora da Escola do Mecânico, Sandra Nalli destacou a importância da educação para ampliar a presença feminina no mercado automotivo.
“Só conseguimos causar transformação real neste país através da educação. E esse projeto é o retrato do que acreditamos. Mais do que um projeto de inclusão social, este programa é, sobretudo, um movimento de empregabilidade, de empoderamento da mulher”, afirmou.
O CEO do GP de São Paulo, Alan Adler, também participou do encontro e ressaltou o compromisso da organização com a formação profissional e a diversidade.
“O objetivo é promover capacitação profissional, aumentar a empregabilidade dessas mulheres e levar diversidade a um universo que ainda é essencialmente masculino”, explicou.
A organização do GP de São Paulo já prepara uma nova fase da iniciativa, voltada à identificação de oportunidades de emprego para as profissionais formadas. A proposta é ampliar os resultados da capacitação, conectando as participantes a possibilidades concretas de inserção no mercado de trabalho.
