F1: Chefe da McLaren apoia mudança nos motores para 2027

A McLaren entrou no debate sobre mudanças nos regulamentos da Fórmula 1 para 2027, e reforçou seu apoio às alterações propostas para as unidades de potência. O chefe da equipe, Andrea Stella, alertou que a categoria corre o risco de prejudicar seu próprio futuro, caso não haja consenso para aprovar as alterações defendidas pela FIA.

O tema ganhou força durante o final de semana do GP do Canadá, especialmente após Max Verstappen demonstrar preocupação com a possibilidade de as mudanças não serem implementadas. Segundo o piloto da Red Bull Racing, competir na Fórmula 1 sem a adoção das propostas seria algo ‘mentalmente inviável’.

As modificações em discussão incluem uma redistribuição da potência entre o motor a combustão e a parte elétrica. A proposta apresentada pela FIA prevê uma divisão de 60% para o motor a combustão e 40% para o sistema elétrico, substituindo a atual proporção de 50% para cada componente.

Embora inicialmente parecesse haver caminho livre para a aprovação, o projeto enfrenta resistência. Ferrari e Audi são apontadas como opositoras da proposta, enquanto Mercedes HPP, Red Bull Powertrains-Ford e Honda, estariam favoráveis às alterações. Para que a medida avance sem dificuldades no Comitê Consultivo de Unidades de Potência, é necessária uma supermaioria dos fabricantes, com apoio de quatro dos cinco fornecedores, além da FIA e da própria Fórmula 1.

Ao comentar o assunto, Stella afirmou que as adaptações realizadas até agora ajudaram a melhorar a situação atual, mas não são suficientes para resolver as limitações observadas nesta nova geração de carros: “Embora estejamos nos acostumando com esta Fórmula 1 e tenhamos dado alguns passos adiante com ajustes no equipamento atual, e possivelmente possamos avançar ainda mais para 2026, na minha visão uma mudança de hardware é necessária”, afirmou.

GP do Canadá 2026, Montreal, Fórmula 1, F1
Foto: XPB Images

O dirigente explicou que o conceito vai além de uma simples alteração na divisão de potência: “A proposta da FIA envolve aumentar a potência do motor a combustão por meio do fluxo de combustível, redistribuir a potência elétrica na recuperação e na entrega de energia e também a capacidade da bateria. Tudo isso faz parte de um pacote muito importante que tornará a Fórmula 1 melhor”, disse ele.

Para Stella, os interesses da categoria devem estar acima das posições individuais dos fabricantes: “Esse é um interesse geral que deveria prevalecer sobre interesses particulares, porque se não tivermos um bom esporte, se não preservarmos o valor do negócio e da Fórmula 1, todos vão perder”, acrescentou.

O italiano acredita que ainda há tempo para alcançar um acordo e corrigir problemas que têm sido alvo de críticas dos pilotos desde o início da nova era técnica: “Espero que as conversas em andamento levem a uma solução bem-sucedida e a um acordo que torne essa divisão 60/40 uma realidade. Isso permitirá superar algumas limitações que são inerentes ao equipamento atual. Temos uma oportunidade de resolver isso em 2027”, completou.