F1: Binotto propõe mudança em sistema de ajuda aos fabricantes de motores

Mattia Binotto defendeu uma revisão no sistema de concessões técnicas para fabricantes de unidades de potência na Fórmula 1. O diretor da equipe Audi, acredita que uma abordagem semelhante à utilizada para os chassis poderia acelerar a convergência de desempenho entre os competidores.

A discussão ganhou força após a FIA concluir que a unidade de potência da Red Bull Powertrains-Ford, é a mais eficiente do grid, superando a Mercedes nos critérios avaliados. A decisão surpreendeu a maior parte do paddock, especialmente porque a análise considerou apenas o desempenho do motor a combustão, sem incluir a contribuição dos sistemas elétricos.

Esse sistema de avaliação, conhecido como ADUO, foi criado justamente para permitir que fabricantes em desvantagem técnica, tenham oportunidades extras de desenvolvimento e consigam reduzir a diferença para os concorrentes. No entanto, a forma como esse sistema é aplicado vem sendo alvo de questionamentos.

Durante suas declarações em Barcelona na sexta-feira (12), Binotto afirmou não ter dúvidas sobre a correção da avaliação feita pela FIA, mesmo após a Audi ter sido beneficiada por uma concessão dentro do programa. Ainda assim, ele sugeriu que o método utilizado poderia ser repensado.

“Se o princípio do ADUO baseado em quilowatts é a abordagem correta, isso pode ser debatido”, afirmou o dirigente. Segundo ele, a Fórmula 1 já utiliza um modelo diferente para promover a convergência no desenvolvimento dos carros.

Largada
Foto: XPB Images

Binotto destacou que as equipes que terminam mais atrás na classificação, recebem benefícios como maior tempo de uso do túnel de vento, o que ajuda a reduzir as diferenças de competitividade: “Existe um sistema semelhante para o chassi. Se você está atrás na classificação, tem mais oportunidades no túnel de vento e em outras áreas. Essa é uma forma de aproximar as equipes”, explicou.

Na visão do italiano, a mesma lógica poderia ser aplicada às unidades de potência: “Talvez devêssemos fazer algo muito parecido com o que acontece com os chassis, baseando tudo na classificação das temporadas anteriores. Se o objetivo é a convergência e ter um grid mais equilibrado, talvez essa seja a forma mais simples de fazer isso”, acrescentou.

Apesar da sugestão, Binotto reforçou confiança no trabalho da entidade máxima do automobilismo: “Essa é a forma como o regulamento está escrito hoje e acredito que precisamos confiar totalmente na FIA. Tenho certeza de que a FIA fez a avaliação correta. O que devemos fazer no futuro? Devemos estabelecer um tipo diferente de classificação? Talvez sim”, completou.