Mesmo sem receber os benefícios do ADUO, os fabricantes terão liberdade para desenvolver determinadas áreas das unidades de potência ao longo do campeonato; entenda o que continua aberto para evolução.
A criação do sistema ADUO pela FIA gerou a impressão de que apenas os fabricantes contemplados pelo mecanismo terão permissão para desenvolver suas unidades de potência ao longo da temporada 2026 da Fórmula 1. No entanto, isso não é verdadeiro.
Embora o regulamento estabeleça uma série de limitações após a homologação inicial dos motores, diversas áreas das unidades de potência permanecem abertas para atualizações ao longo do campeonato. Isso significa que todos os fabricantes, Mercedes, Ferrari, Audi, Honda, Red Bull Powertrains-Ford e GM (que ainda não fabrica seu motor), terão oportunidades de evolução, independentemente de receberem ou não os benefícios extras previstos pelo ADUO.
A diferença está justamente no alcance dessas atualizações. Enquanto os fabricantes enquadrados no programa poderão atuar em áreas adicionais consideradas mais sensíveis para o desempenho, os demais continuam com uma lista relevante de componentes que podem ser desenvolvidos normalmente.
O que todos os fabricantes podem atualizar?
-Turbocompressor
– Plenum (câmara/ reservatório de ar vedado localizado acima do motor, logo após a entrada de ar principal)
– Sistemas de admissão
– Algumas áreas específicas do sistema híbrido previstas no regulamento
– Determinados sistemas associados à unidade de potência autorizados pela FIA
– Estratégias de software e calibrações dentro dos limites regulamentares
– Componentes contemplados pelas futuras homologações previstas pelo regulamento
Essas permissões mostram que a Fórmula 1 não adotou um congelamento completo dos motores para o novo ciclo técnico. Pelo contrário, a FIA buscou criar um equilíbrio entre controle de custos e liberdade de desenvolvimento.
O turbocompressor, por exemplo, continua sendo uma área importante de evolução. Melhorias de eficiência podem gerar ganhos de desempenho, reduzir perdas energéticas e melhorar o aproveitamento da potência produzida pela unidade de potência.
Os sistemas de admissão também permanecem entre os componentes que podem receber atualizações. Mudanças nessa área podem influenciar diretamente a eficiência da combustão e a forma como o motor entrega desempenho ao longo de uma volta.
Outro campo de trabalho constante para os fabricantes está nos softwares de gerenciamento. Mesmo com diversas limitações impostas pelo regulamento, as montadoras continuam desenvolvendo estratégias de controle energético, recuperação de energia e gerenciamento dos sistemas híbridos.

O que continua restrito sem o ADUO?
As principais limitações permanecem concentradas nos componentes mais sensíveis da unidade de potência.
Sem acesso ao ADUO, os fabricantes não podem modificar livremente diversas áreas do motor de combustão interna e de partes importantes do conjunto híbrido após a homologação.
Entre os componentes que permanecem protegidos pelas regras estão:
– Bloco principal do motor de combustão interna (ICE)
– Diversos componentes internos homologados do motor
– Sistemas de circulação de óleo e água protegidos pela homologação
– Partes da bateria
– Áreas específicas do MGU-K
– Elementos estruturais da unidade de potência
É justamente nesse ponto que o ADUO passa a fazer diferença, permitindo que fabricantes em desvantagem técnica tenham acesso a áreas que normalmente permaneceriam congeladas.
Por que isso é importante?
A existência dessas áreas abertas ao desenvolvimento mostra que a FIA não pretende impedir completamente a evolução dos motores durante o ciclo regulamentar iniciado em 2026.
O objetivo é evitar uma escalada de custos semelhante à observada em outras eras da Fórmula 1, mas sem eliminar a capacidade dos fabricantes de corrigir problemas de desempenho, confiabilidade ou eficiência identificados ao longo da temporada.
Na prática, todos os fabricantes continuarão desenvolvendo suas unidades de potência durante o campeonato. A diferença é que aqueles contemplados pelo ADUO terão acesso a ferramentas adicionais para acelerar a recuperação de desempenho caso iniciem o ciclo regulamentar em desvantagem significativa.
Por isso, mesmo sem o benefício concedido pela FIA, os motores da Fórmula 1 continuarão evoluindo ao longo dos próximos anos, apenas dentro de limites muito mais controlados do que os vistos em regulamentos anteriores.
