Nem mesmo o ADUO libera determinadas áreas das unidades de potência; entenda quais componentes permanecerão intocáveis durante a nova era técnica da Fórmula 1.
A criação do sistema ADUO pela FIA trouxe uma série de novas possibilidades de desenvolvimento para fabricantes que eventualmente iniciem a era dos motores de 2026 em desvantagem competitiva. No entanto, existe um aspecto importante do regulamento que muitas vezes passa despercebido: há componentes que permanecerão congelados para todos os fabricantes, independentemente de seu desempenho ou de qualquer benefício concedido pela entidade.
Em outras palavras, mesmo que uma montadora receba permissões extras de desenvolvimento por meio do ADUO, determinadas áreas da unidade de potência continuam protegidas pelas regras e não podem ser modificadas.
A medida faz parte da estratégia da FIA para controlar custos, evitar uma escalada tecnológica excessiva e garantir que alguns componentes sejam comuns ou equivalentes entre todos os participantes do campeonato.
O que continua congelado para todos mesmo com o ADUO?
– Bomba de combustível de alta pressão
– Sensores padronizados pela FIA
– Componentes classificados como Standard Parts
– Central eletrônica padronizada da FIA
– Diversos elementos definidos pelo regulamento como componentes obrigatoriamente homologados
– Áreas marcadas como permanentemente bloqueadas nas tabelas de homologação da FIA
Esses componentes não podem ser redesenhados nem receber atualizações de desempenho, independentemente da posição do fabricante na classificação ou da diferença de performance para os concorrentes.
O objetivo é impedir que equipes e fabricantes gastem recursos em áreas consideradas de baixo valor esportivo ou que poderiam gerar uma corrida tecnológica extremamente cara sem benefícios significativos para a competição.

O que são as Standard Parts?
Uma das categorias mais importantes do regulamento é a chamada “Standard Parts”.
Trata-se de componentes que possuem especificação única para todos os participantes do campeonato. Em vez de cada fabricante desenvolver sua própria versão da peça, todos utilizam o mesmo componente ou seguem especificações rigorosamente controladas pela FIA.
A intenção é reduzir custos e evitar que áreas secundárias se transformem em campos de desenvolvimento milionários.
Além das Standard Parts, o regulamento também define componentes padronizados e outros classificados como de fornecimento obrigatório, criando um ambiente muito mais controlado do que aquele visto nas primeiras gerações da era híbrida iniciada em 2014.
Nem o ADUO muda essas regras
Uma das dúvidas mais frequentes sobre o sistema criado para 2026 é se ele permite que fabricantes em desvantagem tenham acesso irrestrito ao desenvolvimento. A resposta é não.
O ADUO amplia significativamente a lista de componentes que podem ser atualizados, especialmente em áreas ligadas ao motor de combustão interna, ao MGU-K, à bateria e aos sistemas de recuperação de energia. Porém, os componentes classificados como congelados continuam fora do alcance de qualquer fabricante.
Na prática, a FIA criou uma espécie de “linha vermelha” regulatória que não pode ser ultrapassada nem pelos fabricantes beneficiados pelo programa.
Por que a FIA mantém áreas permanentemente congeladas?
A experiência da Fórmula 1 mostrou que fabricantes são capazes de investir enormes quantias em busca de pequenas vantagens de desempenho.
Sem limitações, a tendência seria uma escalada contínua de custos, exigindo investimentos cada vez maiores em pesquisa, desenvolvimento e produção.
Ao congelar determinadas áreas, a FIA direciona os recursos dos fabricantes para setores considerados mais relevantes para a competição e para a evolução tecnológica da categoria.
O sistema também ajuda a manter um equilíbrio maior entre as montadoras, evitando que diferenças financeiras acabem produzindo vantagens praticamente inalcançáveis para os concorrentes.
O regulamento busca equilíbrio entre liberdade e controle
A nova geração de motores da Fórmula 1 foi construída sobre uma filosofia que tenta conciliar dois objetivos frequentemente conflitantes: permitir evolução tecnológica e, ao mesmo tempo, controlar custos.
Por isso, o regulamento de 2026 combina três cenários distintos. Existem áreas abertas para todos os fabricantes, áreas adicionais liberadas por meio do ADUO e um terceiro grupo de componentes que permanece congelado para todos.
É justamente essa combinação que a FIA acredita ser capaz de preservar a competitividade da categoria sem repetir os desequilíbrios técnicos observados em outros períodos da história recente da Fórmula 1.
À medida que a temporada avança e os primeiros beneficiários do ADUO forem conhecidos, compreender quais áreas continuam intocáveis será tão importante quanto entender quais componentes poderão ser desenvolvidos pelos fabricantes.
