F1 2026: afinal, o que um fabricante com ADUO poderá atualizar no motor?

Sistema criado pela FIA para ajudar fabricantes em desvantagem técnica permite modificações importantes na unidade de potência, mas está longe de representar uma reformulação completa do projeto.

A Fórmula 1 introduziu para 2026 um novo mecanismo para evitar que fabricantes de unidades de potência fiquem excessivamente atrás da concorrência durante a vigência do regulamento. Chamado de ADUO (Aerodynamic and Power Unit Development Opportunity), o sistema oferece benefícios de desenvolvimento para montadoras que apresentem desempenho significativamente inferior aos rivais.

Desde que o tema começou a ganhar destaque no paddock, uma dúvida passou a ser recorrente entre os fãs: afinal, o que um fabricante pode realmente atualizar ao receber o benefício?

A resposta é mais complexa do que parece. Embora o ADUO conceda acesso a áreas que normalmente permaneceriam congeladas após a homologação da unidade de potência, ele não permite que um fabricante simplesmente redesenhe todo o motor do zero.

O sistema foi pensado para acelerar a recuperação de desempenho sem comprometer a estabilidade do regulamento ou provocar uma escalada descontrolada de gastos.

Segundo o Apêndice C4 do Regulamento Técnico da FIA para 2026, fabricantes enquadrados no programa poderão realizar atualizações em componentes importantes tanto do motor de combustão interna quanto do conjunto híbrido.

O que um fabricante com ADUO poderá atualizar?

– Bloco do motor de combustão interna (ICE)
– Componentes internos do ICE
– Sistemas de circulação de óleo
– Sistemas de circulação de água
– Sistemas de bombeamento associados ao motor
– MGU-K
– Bateria
– Sistemas de recuperação de energia (ERS)
– Eletrônica de controle da unidade de potência
– Determinados sistemas hidráulicos
– Fluidos e elementos específicos previstos no regulamento

Na prática, isso significa que uma fabricante em desvantagem poderá trabalhar em áreas diretamente ligadas à eficiência do motor de combustão interna, ao gerenciamento energético e à entrega de potência do conjunto híbrido.

Entre os pontos que mais chamam atenção está a liberdade adicional para desenvolver os sistemas elétricos. Com os motores de 2026 adotando uma divisão de potência próxima de 50% entre o motor a combustão e o sistema elétrico, ganhos em componentes como bateria, ERS e MGU-K podem ter impacto significativo no desempenho geral do carro.

A avaliação é de que essa parte do regulamento pode ser até mais importante do que as permissões relacionadas ao motor de combustão, já que a eficiência energética será um dos fatores decisivos da nova geração de unidades de potência.

F1 2026: afinal, o que um fabricante com ADUO poderá atualizar no motor?
Foto: Mercedes

O que o ADUO não permite?

Apesar da lista extensa de componentes liberados, o benefício está longe de representar uma autorização para reconstruir completamente uma unidade de potência.

Diversos componentes permanecem congelados independentemente da situação do fabricante.

O que continua proibido?

– Bomba de combustível de alta pressão
– Sensores padronizados pela FIA
– Componentes classificados como Standard Parts
– Itens explicitamente bloqueados pelo regulamento técnico

Além disso, mesmo as áreas liberadas continuam sujeitas aos processos normais de desenvolvimento, fabricação, validação e homologação exigidos pela FIA.

Outro fator importante é o tempo. Diferentemente de uma atualização aerodinâmica, que pode ser produzida e levada à pista em poucas semanas, o desenvolvimento de componentes internos de uma unidade de potência exige ciclos muito mais longos de projeto, testes e validação.

Por isso, receber o ADUO não significa resolver imediatamente um déficit de desempenho. O mecanismo oferece ferramentas para acelerar a recuperação, mas ainda exige investimentos significativos e meses de trabalho para gerar resultados concretos.

A FIA também exige que qualquer atualização homologada seja disponibilizada simultaneamente para todas as equipes clientes daquele fabricante, impedindo que uma equipe oficial receba tratamento privilegiado.

Com a entidade prestes a anunciar quais fabricantes terão acesso ao sistema, o ADUO deve se tornar um dos temas técnicos mais importantes da Fórmula 1 nos próximos meses. Mais do que uma simples flexibilização regulatória, a ferramenta foi criada para evitar que diferenças excessivas de desempenho comprometam a competitividade da categoria durante toda a era dos motores de 2026.