Análise: As perguntas que vão definir o restante da temporada 2026 da F1 (parte 1)

A Fórmula 1 encerrou a primeira parte da temporada 2026 no último domingo (26) com a realização do GP da Hungria. A corrida no Hungaroring, que teve a primeira vitória da McLaren no ano, deixou muitas perguntas a serem respondidas, mas também trouxe respostas importantes que devem definir o tom da segunda metade do campeonato.

Esse texto será dividido em duas partes para melhor leitura, com a continuação disponível na próxima quarta-feira (05/08).

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A McLaren encontrou a solução?

(L to R): Race winner Lando Norris (GBR) McLaren F1 Team celebrates on the podium with Kyle Moreira (GBR) McLaren F1 Team No. 1 Mechanic.
Foto: XPB Images

A vitória de Lando Norris quebrou um jejum de praticamente oito meses do atual campeão mundial. Apesar de dizer que não estava confiante e nem completamente satisfeito com o carro, era apenas uma questão de tempo até que a primeira vitória da equipe de Zak Brown acontecesse em 2026.

Isso porque os resultados não são exatamente ruins. A equipe, que utiliza motores Mercedes, sofreu com problemas de confiabilidade, é verdade. Mas, apesar de não apresentar o mesmo desempenho dos carros da equipe alemã, a McLaren conseguiu resultados sólidos a partir do momento em que se estabilizou. Excluindo as corridas em que enfrentou problemas, Norris terminou dentro do top-10 em todas as oportunidades. Oscar Piastri não conseguiu o mesmo feito, mas também ainda não terminou uma corrida fora do top-11.

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Para Norris, a vitória na Hungria pode ser considerada um alívio. A imprensa britânica exaltou o atual campeão mundial e ele voltou aos holofotes. Porém, a sensação é de que um piloto qualquer do grid venceu uma corrida, e não o atual campeão da Fórmula 1. Quinto colocado no campeonato, fica a pergunta: se a McLaren encontrou o caminho certo, Norris ainda consegue buscar algum protagonismo na temporada? Hoje, a resposta parece caminhar para o “não”.

A Red Bull ainda é uma equipe séria?

Max Verstappen (NLD) Red Bull Racing RB22.
Foto: XPB Images

Esse é um questionamento complicado. Max Verstappen terminou a prova no Hungaroring com um excelente segundo lugar, sendo aclamado pela imprensa por ter feito “magia” com o carro. E “magia” é realmente a palavra correta para definir o RB22.

O carro continua apresentando problemas e incomodando o tetracampeão mundial, que consegue tirar bons resultados e mascarar parte da crise que envolve a equipe. Na Hungria, porém, suas reclamações ganharam eco após seu companheiro de equipe, Isack Hadjar, também criticar a Red Bull.

Enquanto McLaren e Aston Martin trazem atualizações e seguem focadas no desenvolvimento dos carros, a Red Bull parece mais preocupada em remendar a equipe às pressas após a debandada iniciada em 2024. Novos rumores de saídas voltam a circular pelo paddock e, dentro da pista, esse caos se reflete em atuações inconsistentes e na postura discreta de Laurent Mekies, atual chefe da equipe, que prefere evitar polêmicas.

A Red Bull ainda é uma equipe séria? Essa resposta talvez só venha na reta final da temporada, quando Verstappen decidir seu futuro e explicar as motivações para permanecer — ou não — nesse barco furado.

A Mercedes finalmente tomou um lado?

Andrea Kimi Antonelli (ITA) Mercedes AMG Formula One Team.
Foto: XPB Images

Depois dos GPs da Bélgica e da Hungria, ficou claro que sim. Toto Wolff evita criar polêmicas em relação à disputa entre Kimi Antonelli e George Russell, mas, logo após a prova em Spa-Francorchamps, o austríaco alfinetou Russell ao dizer que o problema naquela corrida foi de potência no carro, mas também da pilotagem do britânico.

Wolff sabe que Antonelli pode fazer história e que seu nome sempre estará ligado ao do italiano. Se o título vier, será vendido como fruto de uma aposta ousada e muito questionada do dirigente, que acompanha a carreira do piloto desde os tempos de kart.

Quanto a Russell, resta torcer para que seu lado da garagem volte a trabalhar a seu favor. Problemas de confiabilidade não são exclusividade dele, já que Antonelli também sofreu com a situação. Então, se quiser chegar à reta final da temporada com chances de disputar o campeonato e provar que não é apenas uma promessa, Russell precisa se reencontrar na pista e deixar os problemas técnicos para a Mercedes resolver, sem tratá-los como mero azar. Talvez as férias façam bem para ele.

A Ferrari ainda tem chances?

Análise: As perguntas que vão definir o restante da temporada 2026 da F1 (parte 1)
Foto: Lucas Miranda / F1MANIA.NET

Depende. A matemática e o desempenho da equipe dizem que sim. Mas, para isso, a Ferrari precisará definir suas prioridades na segunda metade da temporada.

Lewis Hamilton é o principal candidato. Ele está 50 pontos atrás de Antonelli, uma distância que não é impossível de tirar na Fórmula 1. Porém, as decisões tomadas pela Ferrari durante as corridas podem tornar essa missão significativamente mais complicada. Ter parado o heptacampeão mundial durante o safety car virtual, além de desnecessário, acabou gerando uma punição que poderia ter sido evitada.

Além disso, a Ferrari precisa decidir qual será o papel de Charles Leclerc neste momento. Sem muito protagonismo na disputa pelo campeonato, o monegasco pode se tornar uma carta na manga da equipe italiana na segunda metade da temporada, principalmente pensando no Mundial de Construtores. Porém, Leclerc não se posiciona como um piloto disposto a correr em função de outro — e aqui não cabe discutir se está certo ou errado, afinal todos os 22 pilotos disputam um campeonato individual —, enquanto a Ferrari segue sem demonstrar, nem mesmo de forma velada, uma posição firme.

Essa falta de direcionamento pode custar caro no campeonato de construtores. E esse certamente não é o cenário que Frédéric Vasseur quer entregar novamente aos torcedores italianos após temporadas tão frustrantes.

Lawson merece perder a vaga?

Liam Lawson (NZL) Racing Bulls Formula One Team.
Foto: XPB Images

Falar sobre a Racing Bulls é complicado, pois ela definitivamente não parece ser uma equipe extremamente preocupada com o campeonato. Por isso, falar da Racing Bulls acaba sendo sinônimo de discutir quem será o próximo piloto a ocupar uma vaga de titular dentro da estrutura da Red Bull.

Já se fala em Nikola Tsolov, atual líder da Fórmula 2, ocupando um dos assentos da equipe justamente no lugar de Liam Lawson. O desempenho do neozelandês, porém, não é ruim: ele terminou oito das 11 corridas disputadas dentro do top-10.

Ainda assim, bons números nem sempre garantem estabilidade dentro da Racing Bulls, principalmente quando outro piloto começa a se destacar nas categorias de base. Enquanto Arvid Lindblad parece ter mais tranquilidade por ser uma aposta recente, o relógio joga contra Lawson, que praticamente não tem mais para onde evoluir dentro da estrutura da equipe.

Um assento ao lado de Max Verstappen parece improvável e, caso o tetracampeão deixe a Red Bull, Lawson dificilmente será a primeira opção. O futuro do neozelandês depende muito mais das decisões da equipe e dos movimentos do mercado do que propriamente do seu desempenho.

A Audi pode ir além?

Análise: As perguntas que vão definir o restante da temporada 2026 da F1 (parte 1)
Foto: Lucas Miranda / F1MANIA.NET

Sim. Mas a nova pergunta é: quando? A equipe vem traçando a melhor trajetória entre as novatas do grid, com Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg conseguindo bons resultados, apesar da inconsistência apresentada em alguns momentos.

É um ponto sensível, mas talvez 2027 seja o momento ideal para a Audi arriscar e investir em um piloto mais acostumado a disputar as primeiras posições. Carlos Sainz, que vive uma temporada conturbada na Williams, poderia ser esse nome. Hülkenberg e Bortoleto fazem um bom trabalho no desenvolvimento do projeto, mas, quando chegar a hora de dar o próximo passo, talvez seja necessário alguém mais agressivo no volante. Nesse cenário, abrir mão do alemão pode acabar sendo a escolha mais lógica.