CBA pede impugnação do edital para construção do Parque Olímpico no Rio

O Departamento Jurídico da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) apresentou ontem pedido de impugnação ao edital para construção do Parque Olímpico carioca. A obra a ser licitada prevê o uso da área onde está situado o Autódromo de Jacarepaguá e fere o convênio firmado entre a União, a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, o Comitê Olímpico Brasileiro e a CBA conforme consta nos autos do processo administrativo 14/200.608/2007. O local onde está situado o circuito foi desapropriado e decretado como de utilidade pública pela Administração Pública através do decreto E 5672/72 com a finalidade da construção do autódromo. O uso dessa área para a construção de um Parque Olímpico está condicionado à construção e entrega de uma nova praça desportiva voltada para esportes a motor de padrão internacional.

A idéia de construir um Parque Olímpico no local onde desde 1978 funciona o Autódromo de Jacarepaguá surgiu no decorrer da candidatura do Rio de Janeiro para sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Faça o F1Mania.net sua fonte preferida de notícias no Google e também no Google Discover.

De acordo com acordo registrado na 6ª Vara da Fazenda Pública sob o número 2006.001.031670-0 o Município do Rio de Janeiro se obrigou a recuperar o a Autódromo de Jacarepaguá e construir uma nova pista “de molde a que a praça desportiva automobilística pudesse sediar provas esportivas internacionais”, inclusive GPs de F-1. O início das obras deveria acontecer até junho de 2008 e, em caso de atraso, seria cobrada multa diária de R$ 1.000,00; as obras deveriam ser executadas em 14 meses.

Nesse período ocorreram negociações entre a CBA, o Poder Público e organismos nacionais ligados à candidatura do Rio à sede dos Jogos Olímpicos de 2016, que convencionaram pela suspensão das obras de adequação do autódromo até a escolha da cidade para esse evento. Quando o Comitê Olímpico Internacional escolheu o Rio para sede ficou acordado que caberia à União Federal e à Prefeitura, conjuntamente com a CBA, identificar uma área de 1.200.000 m² em condições de abrigar um autódromo em apto para a realização de competições de F-1 e um kartódromo de padrão internacional. Somente após a construção e a inauguração desse novo Autódromo Internacional é que o Autódromo de Jacarepaguá seria desativado. O local escolhido para a construção da nova pista já foi definido no bairro de Deodoro e o projeto inclui um complexo que visa resgatar a qualidade de vida da população local.

Outro fato contestado pelo Dr. Felippe Zeraik, Diretor Jurídico da CBA, no Edital publicado na última sexta-feira é a inexistência de consulta pública e da publicação em jornais de grande circulação, conforme consta da Lei Complementar Municipal nr. 105. Esse instrumento determina a divulgação ampla da “justificativa para a contratação, identificação do objeto, o prazo de duração do contrato e seu valor estimado”. Zeraik menciona ainda no documento assinado por ele e pela Dra. Viviane Mallet D´Ávila que do acordo firmado consta que é “de interesse da UNIÃO, da PREFEITURA e da CBA manter na Cidade do Rio de Janeiro um autódromo e um kartódromo com condições de sediar provas desportivas nacionais e internacionais, de todas as categorias, idéia que é apoiada pelo COB.”

Siga o F1Mania.net e receba as últimas notícias da Fórmula 1 pelo WhatsApp.

Ao comentar sobre a decisão tomada ontem Cleyton Pinteiro, presidente da CBA, reforçou a postura da entidade:

“Não somos contra a realização de uma edição dos Jogos Olímpicos no País, mas não concordamos em fazer com o que o automobilismo pague um preço tão alto e inaceitável para que isso aconteça. Nem tampouco que acordos firmados por cavalheiros, governos e representações esportivas sejam ignorados solenemente.”