Um movimento ambicioso está em andamento na Argentina para trazer a Fórmula 1 de volta ao Autódromo Oscar y Juan Gálvez, em Buenos Aires, que não recebe a categoria desde 1998. A reforma completa do circuito será liderada pelo renomado arquiteto Hermann Tilke, especialista em traçados de F1, e promete transformar o espaço em um palco moderno e pronto para receber grandes eventos do automobilismo internacional.
A informação foi divulgada pelo site espanhol Soy Motor e aponta que o projeto será realizado em duas fases. A primeira tem como foco a homologação do circuito na categoria Grau 2 da FIA, com o objetivo de sediar uma etapa da MotoGP já em 2027. A segunda fase prevê ajustes adicionais que permitirão alcançar a certificação Grau 1, exigida para receber uma etapa da Fórmula 1.
“Temos um plano em duas fases. A Fase 1 é para a MotoGP em 2027 e a Fase 2 é para a Fórmula 1”, declarou Tilke. “O resultado será um circuito muito bom e muito emocionante”, completou o projetista, responsável por diversos traçados modernos da F1, como os de Jeddah, Baku e Yas Marina.
O novo traçado do circuito será mais longo que o original, com um acréscimo de 500 metros, e sofrerá mudanças importantes em duas curvas. Algumas das curvas mais famosas do antigo circuito, como Vivorita e Ombu, deixarão de existir fisicamente, mas seus nomes serão preservados na nomenclatura oficial do novo layout. A Curva Salotto e a Chicane Ascari serão mantidas.

As reformas vão muito além do traçado. A infraestrutura do autódromo será totalmente modernizada, com novas áreas de drenagem, sistemas de energia, zebras e boxes remodelados. As arquibancadas terão capacidade para 120 mil espectadores, com destaque para um novo conceito de circuito com visão 360 graus para o público e até mesmo uma área destinada a concertos.
“Tudo o que projetamos não é apenas para os pilotos, mas também para os espectadores”, disse Tilke. “Teremos elevação para melhor visibilidade, um circuito que pode ser observado de diversos ângulos e uma estrutura mais amigável para grandes públicos”, explicou.
A construção está programada para começar em novembro de 2025, com previsão de conclusão em fevereiro de 2027. A MotoGP já tem estreia garantida no local para março de 2027, enquanto a Fórmula 1 ainda depende da conclusão da segunda fase do projeto e da negociação da taxa anual de hospedagem, estimada em US$ 40 milhões.
Nos bastidores, o apoio político e comercial ao retorno da F1 à Argentina tem crescido. Nomes influentes como Jorge Macri, Orly Terranova e Daniel Scioli estão diretamente envolvidos no esforço. Além disso, o momento é favorável ao automobilismo argentino, que vê o jovem Franco Colapinto como uma das principais apostas para representar o país na F1 no futuro.
Rumores recentes chegaram a colocar em dúvida o futuro de Colapinto na Alpine, mas o envolvimento crescente do país em projetos como o do autódromo de Buenos Aires pode impulsionar ainda mais o apoio institucional e empresarial ao piloto argentino.
A Fórmula 1 não corre na Argentina desde o fim da década de 1990, quando o circuito de Buenos Aires foi excluído do calendário devido à sua estrutura obsoleta. Com a reforma milionária em andamento e a movimentação política por trás do projeto, o país dá passos concretos para recolocar seu nome no mapa da F1 a partir de 2027.
