Buenos Aires deu mais um passo em sua tentativa de voltar ao calendário da Fórmula 1. O prefeito da cidade argentina, Jorge Macri, se reuniu nessa sexta-feira (06) com Stefano Domenicali, CEO da categoria, em Interlagos, com a intenção de negociar um contrato de pelo menos cinco anos para receber uma etapa.
O encontro, o primeiro presencial entre os dois, ocorreu durante o final de semana do GP do Brasil em São Paulo, e faz parte das conversas sobre um possível retorno da Fórmula 1 ao Autódromo Oscar y Juan Gálvez. Macri afirmou, porém, que ainda não há definição sobre datas, e que uma janela para a Argentina pode surgir entre 2029 e 2030.
A reunião durou cerca de 40 minutos e contou também com a presença de Fabián Turnes, secretário de Esportes, e Gabriel Sánchez Zinny, chefe de gabinete de Buenos Aires.
Segundo Macri, a prioridade é garantir que o circuito argentino esteja em condições de receber grandes categorias. O projeto de renovação do autódromo incorporou exigências relacionadas ao traçado, às instalações, aos paddocks e aos padrões de segurança necessários para a Fórmula 1.
“É preciso trabalhar no desenho da pista e na infraestrutura, desde os paddocks até a segurança exigida pela Fórmula 1, por isso realizamos esse upgrade. O primeiro passo é concluir a obra da maneira correta”, afirmou.
O prefeito disse ainda, que os trabalhos seguem com um cronograma ‘levemente adiantado’, margem que considera importante diante da possibilidade de complicações climáticas durante o verão.

Macri também citou a possibilidade de Buenos Aires estar disponível, caso a Fórmula 1 precise antecipar o retorno da Argentina ao calendário, inclusive em um eventual cenário para 2027. A hipótese de a cidade se colocar à disposição diante de possíveis alterações provocadas pela situação no Oriente Médio foi mencionada durante o encontro, embora o prefeito tenha ressaltado que a decisão cabe exclusivamente à categoria.
“Existe uma possibilidade, mas quero ser muito cauteloso, pois há muita gente que vende expectativas, e aqui o importante é ter certezas. Foi algo bem superficial, pois essas são prerrogativas da Fórmula 1, e são eles quem decidem. Buenos Aires estará pronta”, disse ele.
A entrada da Argentina também aumentaria a disputa por espaço no calendário latino-americano. Em entrevista ao Estadão, Alan Adler, CEO do GP do Brasil, afirmou que considera difícil acomodar São Paulo, Cidade do México e Buenos Aires sem que alguma etapa deixe o calendário: “Se quiserem levar para a Argentina, alguém terá de sair do calendário”, comentou Adler.
Macri reconheceu o desafio financeiro para viabilizar um GP de F1, mas defendeu que Buenos Aires pode oferecer segurança para um acordo duradouro: “Não é fácil competir com países que possuem estruturas financeiras muito poderosas, mas acredito que temos condições de oferecer à Fórmula 1 a segurança de que ela precisa para um contrato de longo prazo”, completou.
