Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, afirmou que espectadores e integrantes da imprensa poderão ser banidos de eventos da Fórmula 1 em casos graves de abusos nas redes sociais. O dirigente revelou que Pierre Gasly recebeu 13 mil ameaças de morte após um incidente com seu companheiro de equipe na Alpine, Franco Colapinto, durante o GP da Espanha.
Em entrevista ao The Drive durante o fim de semana do GP dos Estados Unidos, em Austin, Ben Sulayem demonstrou preocupação com a dimensão dos ataques direcionados ao francês e afirmou que a entidade pretende adotar medidas contra os responsáveis.
“Pierre Gasly recebeu 13 mil ameaças de morte. 13 mil!”, declarou o presidente da FIA.
O dirigente também afirmou que a entidade poderá impedir o acesso de pessoas envolvidas em abusos aos eventos da categoria, incluindo profissionais da imprensa.
“Se o ódio vier de alguém que é espectador, vamos bani-lo. Se fizer parte da imprensa, vamos bani-lo, porque temos autoridade para isso. E, se estiver escondido na internet, a inteligência artificial vai expô-lo”, afirmou.

Ben Sulayem, porém, não detalhou como a inteligência artificial seria utilizada para identificar os responsáveis por contas anônimas. Segundo ele, os ataques também têm afastado profissionais do automobilismo. O dirigente citou o caso de uma comissária que recebeu ameaças de morte e estupro e decidiu deixar a função.
O presidente relacionou o combate aos abusos à campanha da FIA United Against Online Abuse, voltada à luta contra a violência e o assédio no ambiente digital. Ele também ressaltou que a iniciativa depende da participação de equipes, pilotos, jornalistas e torcedores.
Ben Sulayem também apoiou a posição adotada por Flavio Briatore, dirigente da Alpine, que ameaçou impedir Colapinto de conceder entrevistas caso os ataques de seus torcedores continuassem.
Em setembro, Briatore afirmou à ESPN Argentina que o piloto poderia deixar de falar com a televisão argentina e, posteriormente, com toda a imprensa se a situação não mudasse.
Para o presidente da FIA, os próprios pilotos também precisam se posicionar contra o comportamento abusivo de seus seguidores.
“Não apenas o chefe da equipe. Os pilotos da F1 têm fãs e podem dizer a eles: ‘Parem. Não quero que vocês sejam meus fãs se não souberem se comportar, se estiverem fazendo ameaças de morte’”, declarou.
Os ataques contra Gasly começaram após os momentos finais do GP da Espanha, disputado no circuito de Madri. O francês passou boa parte da prova com os pneus Duros utilizados na largada e ainda precisava realizar uma parada nos boxes quando acabou segurando Colapinto, enquanto Oscar Piastri se aproximava.
A Alpine não ordenou que Gasly cedesse a posição, e as mensagens de rádio em que Colapinto demonstrava frustração se espalharam rapidamente pelas redes sociais.
Gasly entrou nos boxes no fim daquela volta, permitindo que Colapinto mantivesse sua posição. O argentino terminou em sétimo, enquanto o francês cruzou a linha de chegada em 12º.
Antes do GP do Azerbaijão, Gasly revelou que ele, sua namorada e outros familiares também haviam sido alvo de ataques. Na ocasião, classificou o comportamento como “completamente inadequado”.
Desde então, Colapinto pediu que seus torcedores parassem de atacar pilotos rivais e se afastou das redes sociais para concentrar-se na carreira.
