F1: Chefe da Haas admite que problema com pneus ainda é um mistério para a equipe

A equipe Haas enfrenta a difícil realidade de não compreender totalmente o problema de desgaste excessivo de pneus, que atrapalhou seu desempenho ao longo da temporada passada da Fórmula 1.

Mesmo com um início promissor sob as novas regras aerodinâmicas, o VF-23 se mostrou muito agressivo com os pneus, comprometendo o ritmo de corrida e relegando a equipe à última posição no Mundial de Construtores em 2023.

Embora as atualizações introduzidas em Austin tenham trazido uma melhora parcial, o novo chefe da equipe, Ayao Komatsu, reconhece que a solução definitiva ainda não está à vista. “Não acho que entendemos tudo,” disse Komatsu ao Autosport. “Acreditamos entender uma parte significativa, mas a prova só vem com um carro capaz de lidar com o problema.”

Komatsu evita afirmar categoricamente que o problema está resolvido, ressaltando a necessidade de cautela. “Não gosto de dizer que entendemos 100%. Não entendemos. Mas temos uma boa ideia do porquê e onde precisamos focar”, disse ele.

Curiosamente, a Haas já havia enfrentado dificuldades semelhantes com os pneus Pirelli em 2019. Na época, Kevin Magnussen, piloto presente nas duas temporadas, chegou a afirmar que havia ‘tocado o alarme’ na equipe.

Diante disso, Komatsu questiona se a falta de comunicação interna entre as bases da equipe na Itália e no Reino Unido pode ter contribuído para a recorrência do problema. “O programa de 2019 é muito diferente do de 2023. Pode parecer o mesmo, mas é bem diferente, e o principal é a forma de trabalho.”

“Se não trabalhamos de forma integrada, com comunicação adequada entre o departamento de aerodinâmica na Itália e o de pneus no Reino Unido, isso é um problema. Esse é um elemento da cultura de trabalho que vou focar em melhorar. Queremos agir como um time. Temos um problema real com o carro, então precisamos ser abertos e comunicá-lo a todos os envolvidos”, acrescentou.

Komatsu reforça que o diálogo frequente e o alinhamento entre os departamentos é crucial para a recuperação da Haas: “A discordância é saudável, desde que todos saibam que uma decisão precisa ser tomada. Então, alguém precisa tomar uma decisão e seguirmos adiante. Tudo bem. Mas quando um grupo diz ‘acho que isso é um problema’ e o outro diz ‘ok, tudo bem’, e depois não se comunica e continua no seu caminho, aí não tem como evoluir”, finalizou.

A nova temporada da F1 se inicia em breve (02 de março), e a Haas enfrenta o desafio de encontrar uma solução definitiva para o problema de pneus, aprimorar a comunicação interna, e consequentemente, voltar a competir em condições de igualdade com as demais equipes.