F1: Binotto sugere novo modelo para ajudar fabricantes de motores

A Audi apresentou uma proposta que pode influenciar futuras discussões sobre os regulamentos da Fórmula 1. Mattia Binotto defendeu uma revisão do sistema criado pela FIA, para oferecer oportunidades extras de desenvolvimento aos fabricantes de unidades de potência que estiverem atrás da concorrência.

O mecanismo, chamado ADUO (Additional Development and Upgrade Opportunities), foi introduzido para o regulamento de 2026 e permite que fabricantes com desempenho inferior recebam autorização para evoluir componentes que, em condições normais, estariam homologados e congelados. A categoria, porém, ainda aguarda uma comunicação oficial da FIA sobre quais empresas serão beneficiadas pelo programa.

Atualmente, o sistema funciona a partir da análise do desempenho dos motores a combustão dos cinco fabricantes de unidades de potência envolvidos na Fórmula 1. Com base nessa avaliação, a FIA define uma referência e concede oportunidades adicionais de desenvolvimento aos fabricantes que ficarem abaixo desse parâmetro.

Binotto, no entanto, acredita que existe uma alternativa mais eficiente. O dirigente da Audi sugeriu que a avaliação seja inspirada no modelo já utilizado para os chassis, que distribui tempo de túnel de vento e ferramentas de CFD de acordo com a posição das equipes no campeonato.

Desde 2021, as equipes recebem diferentes níveis de acesso a essas ferramentas com base em seu desempenho esportivo. A campeã de construtores recebe menos tempo disponível, enquanto a última colocada ganha mais oportunidades de desenvolvimento, em um sistema que é ajustado ao longo da temporada conforme a classificação no campeonato.

Largada
Foto: XPB Images

“Temos sensores adequados no carro para medir a diferença de potência. Então, o princípio do ADUO baseado na diferença de quilowatts é o caminho certo? Podemos discutir isso”, afirmou Binotto. O dirigente destacou que já existe um conceito semelhante para os chassis, criado justamente para permitir que os competidores reduzam diferenças de desempenho.

Na visão do diretor da Audi, utilizar os resultados das temporadas anteriores poderia ser uma forma mais simples de alcançar o objetivo de aproximar os fabricantes: “Talvez devêssemos fazer algo muito parecido com o que existe para os chassis, baseado na classificação das temporadas anteriores. Se o propósito é ter um grid mais equilibrado, talvez essa seja a solução mais direta e criaria um sistema único para chassis e unidades de potência”, acrescentou.

Apesar da sugestão, Binotto deixou claro que apoia o trabalho da FIA e não questiona as decisões atuais: “É assim que o regulamento está escrito hoje e acredito que precisamos confiar totalmente na FIA. Tenho certeza de que a entidade fez a avaliação correta. O que devemos fazer no futuro? Talvez estabelecer um tipo diferente de classificação. Talvez sim”, encerrou o italiano.