Copa do Mundo e F1: relembre o dia que uniu Senna e Maradona na história

O dia 22 de junho de 1986 é representativo para fãs dos maiores expoentes da história do esporte brasileiro e argentino. Neste mesmo dia, Ayrton Senna e Diego Maradona entraram para a história por gestos feitos e vitórias que obtiveram na Fórmula 1, no caso do piloto, e na Copa do Mundo, no caso do jogador de futebol.

Ayrton Senna
Foto: reprodução

Senna estava nos Estados Unidos para a disputa do GP de Detroit, sétima etapa da temporada da F1. Então piloto da Lotus, o brasileiro cravou a pole position no circuito montado nas ruas da “capital do automóvel” durante a partida entre Brasil e França na Copa do Mundo de 1986, que terminou com eliminação nos pênaltis do time comandado por Telê Santana.

Alvo de piadas de engenheiros e mecânicos franceses, Senna foi para a corrida no domingo e precisou mostrar combatividade após errar uma marcha na largada e perder a ponta para Nigel Mansell. Ayrton retomou a ponta na oitava volta, mas um pneu furado o obrigou a visitar os boxes, perdendo terreno. Após os adversários fazerem seus pit stops, o brasileiro retomou a ponta.

Após a segunda rodada de paradas nos boxes, Senna aparecia em segundo, atrás do compatriota Nelson Piquet. O até então bicampeão do mundo, porém, acertou seu Williams no muro na volta 42, abandonando e cedendo a ponta para Ayrton, que seguiu para vencer, seguido por Jacques Lafitte, da Ligier, e Alain Prost, da McLaren.

Para comemorar a vitória que o devolveu à liderança do Mundial, Senna pediu a um torcedor uma bandeira do Brasil, que lhe foi entregue por um fiscal. O piloto fez uma volta empunhando a bandeira, como resposta aos franceses de sua equipe. O gesto virou marca registrada de Ayrton, que celebrou dezenas de vezes suas vitórias desta forma.

No mesmo momento em que Senna vencia nos Estados Unidos, a Copa do Mundo do México tinha um de seus principais jogos. Argentina e Inglaterra se enfrentavam no Estádio Azteca, uma das sedes da Copa deste ano, em confronto válido pelas quartas de final. Com um detalhe importante: a rivalidade por conta da Guerra das Malvinas, ocorrida quatro anos antes.

As duas seleções chegavam àquele confronto em condições distintas. A Argentina liderou o Grupo A após vencer Coreia do Sul e Bulgária e ficar no empate com a Itália. Nas oitavas de final, a “Albiceleste” venceu o Uruguai por 1 a 0. Já os ingleses, no Grupo F, foram os segundos colocados após perderem para Portugal, empatarem com Marrocos e vencerem a Polônia. Nas oitavas de final, classificação com um 3 a 0 sobre o Paraguai.

Após um 0 a 0 na etapa inicial, jogo recomeça e logo aos seis minutos Maradona abre o placar para a Argentina, aproveitando para desviar com a mão uma bola espirrada após saída do goleiro Shilton. Apesar de toda a revolta dos ingleses com o lance, a arbitragem validou o gol feito, segundo o argentino, com “a mão de Deus”.

Quatro minutos depois, o camisa 10 fez um dos gols mais lindos da história das Copas, ao arrancar do meio-campo, passar por seis oponentes e driblar o goleiro para completar o 2 a 0. Narrador argentino naquela partida, Victor Hugo Morales definiu o gol e o atacante como “Barrilete Cósmico” e se perguntou “de que planeta Maradona vinha”. Os ingleses até diminuiriam com Liniker, mas o 2 a 1 garantiu a Argentina na semifinal.

Maradona e a Argentina viriam a vencer aquela Copa do Mundo, passando pela Bélgica na semifinal, com dois gols do “Pibe” nos 2 a 0, e faturando o bicampeonato em 29 de junho, em um dramático 3 a 2 contra a Alemanha Ocidental. Já na F1, Senna terminaria 1986 como quarto colocado, mas mostrava mais uma vez o seu valor e o que poderia fazer com um carro melhor.

Uma curiosidade é que a vitória de Senna não foi mostrada ao vivo na época. A TV Globo, detentora dos direitos de transmissão da F1 e da Copa do Mundo naquele ano, optou por exibir a corrida em VT para transmitir ao vivo justamente o confronto entre Argentina e Inglaterra.