A saída do Rali da Arábia Saudita do calendário do WRC de 2026 trouxe à tona uma questão que também envolve diretamente a Fórmula 1: as restrições de viagem impostas por algumas montadoras para o Oriente Médio.
A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) retirou o Rali da Arábia Saudita do Campeonato Mundial de Rali de 2026 em 17 de setembro. A decisão, no entanto, veio depois que Toyota e Hyundai deixaram claro que não enviariam seus funcionários ao evento.
Toyota e Hyundai enviaram uma carta conjunta à FIA sobre a prova em Jeddah, assinada pelos diretores esportivos Kaj Lindström, da Toyota, e Andrew Wheatley, da Hyundai. O conteúdo deixou claro que as limitações das duas empresas não estavam restritas apenas à Arábia Saudita: “A política atual da TMC proíbe qualquer viagem ao Oriente Médio”, disse o fabricante japonês.

A Hyundai também confirmou que possui restrições na região, mas ressaltou que a situação está sendo acompanhada de perto: “Há algumas restrições a viagens de negócios ao Oriente Médio que estão sendo monitoradas diariamente e evoluem constantemente.”
A M-Sport Ford, que inicialmente estava disposta a viajar, também acabou mudando de posição. O movimento aconteceu depois que o Ministério das Relações Exteriores britânico atualizou suas orientações em 16 de setembro, poucos dias após mísseis atingirem uma instalação da Aramco em Yanbu, a cerca de 300 km da base do rali.
O caso do WRC ganha importância para a F1 justamente porque as restrições de Toyota e Hyundai valem para determinados pontos de todo o Oriente Médio, e não somente para a Arábia Saudita. A categoria ainda tem provas marcadas no Catar e em Abu Dhabi no final do ano.
Cadillac e Haas, por terem identidade americana, foram apontadas como casos de maior risco. O seguro de uma equipe dos Estados Unidos para atuar na região foi descrito como impossível enquanto o governo americano desaconselha viagens não essenciais. Sem as garantias, algumas equipes teriam considerado seriamente não fazer a viagem.
Apesar disso, as equipes de F1 já receberam garantias privadas de que não precisarão viajar para Catar e Abu Dhabi, de acordo com o GPblog. A pista de Imola, na Itália, já estaria sendo preparada para receber a final do campeonato deste ano.
