Hamilton critica custos do kart e cobra FIA e F1 por maior acessibilidade no automobilismo

Recentemente pilotos da Fórmula 1 trouxeram o debate sobre o alto custo para ingressar no automobilismo à tona. Lewis Hamilton, Max Verstappen e Esteban Ocon chamaram atenção para as barreiras financeiras cada vez maiores no kart e nas categorias de base, apontando risco de perda de talentos.

Hamilton foi direto ao criticar a escalada dos custos e pediu mudanças à FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e à Fórmula 1: “Eu não passei muito tempo analisando isso, porque é algo que, na minha opinião, está constantemente indo na direção errada”, disse Hamilton. “Não há responsabilização por parte das pessoas que comandam essas organizações ou esses esportes. Não sei como, mas precisa haver algum jeito de tornar isso acessível, e é ridículo.”

Race winner Lewis Hamilton (GBR) Scuderia Ferrari SF-26 celebrates at the end of the race.
Foto: XPB Images

O tetracampeão mundial, que atualmente corre pela Ferrari, destacou o contraste entre sua trajetória e a realidade atual do esporte. “Conheço alguém que tem um filho de oito anos e está gastando mais de um milhão de dólares por ano. Quando eu comecei, meu pai gastou £20.000 no primeiro ano, o que já foi extremamente difícil. Hoje é altamente improvável, senão impossível, alguém de origem comum chegar competindo com quem gasta um milhão. Isso não deveria ser permitido.”

Hamilton também alertou que o problema aumenta conforme os pilotos sobem de categoria: “Quando você passa pelas outras categorias, fica cada vez mais caro. Em vez de talento, são as famílias com mais dinheiro que acabam criando as oportunidades. Isso cabe à FIA e à Fórmula 1. Elas precisam fazer essas mudanças.”

A FIA já iniciou um Plano Global de Kart de três anos para reduzir custos e ampliar o acesso ao esporte. Entre as medidas estão uma Copa do Mundo Arrive and Drive na Malásia, com karts padronizados, e a criação de um Centro de Excelência em Kart para apoiar jovens talentos.