FIA talvez seja permissiva demais com equipes que criticam os dirigentes, diz Todt

O presidente da FIA, Jean Todt, sugeriu que a FIA tem sido muito tolerante com as equipes de F1 e os pilotos, criticando publicamente os comissários e direção de corrida.

A temporada de 2021 foi marcada por uma série de incidentes polêmicos, gerando fortes críticas ao diretor de corridas da FIA, Michael Masi, e às decisões tomadas pelos comissários durante vários GPs. Isso culminou no Grande Prêmio de Abu Dhabi, que decidiu a temporada, onde a Mercedes protestou contra o resultado da corrida, depois que Lewis Hamilton perdeu o campeonato para Max Verstappen após uma polêmica e contestada relargada na última volta.

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O chefe da equipe Mercedes, Toto Wolff, já disse que Masi ‘roubou’ o campeonato de Hamilton. Todt acha que a FIA pode ter sido muito tolerante com as críticas pesadas das equipes.

“É claro que sempre podemos melhorar”, disse Todt. “Mas você precisa se comportar também.”

Todt fez referência ao presidente do Olympique Lyonnais, Jean-Michel Aulas, que foi suspenso por dez jogos pela Federação Francesa de Futebol, após comentários que fez a um árbitro após um jogo recente.

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“Eu li na revista esportiva francesa L’Equipe, que o presidente do clube de futebol Lyon, que é um dos times mais importantes, foi proibido de estar presente em dez jogos porque ele falou mal de um árbitro”, disse Todt. “Então talvez estejamos sendo permissivos demais, sabe?”

“Por um lado, considero importante haver um diálogo entre o grupo de direção, as equipes, os pilotos, os titulares dos direitos comerciais, mas não deve ser algo contra nós”, disse ele.

Depois de decidir não apelar formalmente sobre a última corrida, a Mercedes prometeu “responsabilizar a FIA”, depois que o corpo diretivo anunciou que faria uma “análise detalhada e exercício de esclarecimento” sobre o ocorrido em Abu Dhabi. A equipe também boicotou a festa de gala anual de entrega de prêmios da FIA em Paris, para a qual foram obrigados a enviar representantes, já que Hamilton terminou em segundo no campeonato de pilotos, com a Mercedes conquistando o título de construtores, porém, nem Wolff nem Hamilton compareceram ao evento.

Todt disse que a FIA irá analisar as ações tomadas tanto pelo controle de corrida quanto pelos comissários ao longo da temporada de 2021, para tentar tornar as regras da corrida mais claras para todos os competidores, mas rejeitou qualquer sugestão de que os oficiais da corrida deixem de permanecer imparciais em suas decisões.

“De certa forma, é o comportamento humano”, disse Todt. “Veja, Max após a primeira curva, quando Lewis o ultrapassou pelo lado direito, ele disse: ‘Estou sendo perseguido’. Quer dizer, acredite ou não, ninguém está sendo perseguido, mas é a percepção. Portanto, no calor da ação, você tem seus próprios sentimentos.”

“Porém do outro lado, você tem o diretor de prova, você tem os comissários que têm muita organização. Somos perfeitos? Não somos perfeitos. E, aliás, é por isso que sugeri fazer uma revisão completa para ver o que precisa ser melhorado à luz do que aconteceu. Não só nesta corrida, mas no que aconteceu ao longo do ano.”

Todt deixa o cargo de presidente da FIA nessa sexta-feira, após seu terceiro e último mandato. Uma eleição será realizada ainda hoje, com os membros da FIA votando para determinar o sucessor de Todt.

 

 

 

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