A vitória inesperada de Pastor Maldonado, então piloto da Williams, no GP da Espanha de 2012 abriu caminho para Toto Wolff assumir um cargo de liderança na Mercedes. Na época executivo e acionista da Williams, o austríaco foi chamado para conversar com dirigentes da montadora alemã após o triunfo da equipe britânica, em um episódio que expôs a diferença entre as ambições da Mercedes e os recursos que destinava à Fórmula 1.
Em participação no podcast Cheeky Pint, apresentado por John Collison, cofundador da Stripe, Wolff contou que um integrante do conselho da Mercedes o convidou para ir a Stuttgart. A pergunta foi direta: ‘Como uma equipe independente, com estrutura menor, conseguia vencer enquanto a fabricante alemã enfrentava dificuldades para alcançar resultados semelhantes?’
“Como é possível que sua pequena equipe privada consiga vencer uma corrida, enquanto nós, Mercedes, não conseguimos fazer melhor do que isso?”, relatou Wolff sobre a abordagem do dirigente.
Depois de receber acesso aos números do programa de F1 da Mercedes, o austríaco perguntou quais eram os objetivos da empresa. A resposta foi conquistar campeonatos mundiais. Wolff, porém, considerava que a expectativa não correspondia ao investimento realizado.
“Eu disse: ‘Certo, então um de nós está errado, porque trabalho com os mesmos orçamentos e penso em terminar entre os seis primeiros’. Eles responderam: ‘Não é o mesmo orçamento. Veja, gastamos 100 milhões a mais’,” relembrou.

Wolff então apontou o que considerava a principal diferença entre as equipes: “Eu disse: ‘Sim, esses 100 milhões que vocês gastam com Michael Schumacher e Nico Rosberg, eu tenho um piloto pagante da Venezuela, que venceu a corrida, aliás, Pastor. Essa é a principal diferença’,”. Segundo ele, os dirigentes não gostaram da comparação, e Wolff deixou claro que voltaria ao trabalho na Williams.
Maldonado havia conquistado a pole position em Barcelona e derrotado Fernando Alonso para garantir a única vitória de sua carreira na Fórmula 1. O venezuelano também levava apoio financeiro de seu país à Williams.
A conversa não encerrou o assunto. Mais tarde, a Mercedes voltou a procurar Wolff, argumentando que a gestão corporativa de uma equipe de F1 precisava dar lugar a uma liderança mais empreendedora, com autonomia para tomar decisões rapidamente. A empresa queria que ele assumisse essa responsabilidade.
Inicialmente, Wolff recusou a oferta por ser acionista da Williams. A Mercedes, então, propôs ajudá-lo a comprar uma participação na equipe. Ele chegou à estrutura alemã no início de 2013, antes de liderar o período em que a Mercedes conquistou oito títulos consecutivos de construtores, entre 2014 e 2021.
