F1: Vasseur defende Ferrari e aponta responsabilidade de Hamilton em Singapura

Frederic Vasseur defendeu a Ferrari após o GP de Singapura deste domingo (11) e afirmou que Lewis Hamilton foi responsável pela decisão que comprometeu seu resultado na corrida em Marina Bay. De acordo com o chefe da equipe, o britânico recebeu a orientação para entrar nos boxes durante o safety car virtual (VSC), mas não conseguiu fazer a parada.

Hamilton terminou em sexto lugar depois de perder rendimento nas voltas finais. O heptacampeão chegou a ocupar a terceira posição após as paradas dos adversários, mas teve dificuldades para manter o ritmo com os pneus macios usados que colocou na volta 18.

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A estratégia da Ferrari começou com escolhas diferentes para seus dois pilotos. Hamilton largou com os médios, enquanto Charles Leclerc optou pelos macios. A ideia era tentar surpreender Max Verstappen, que saiu da pole position, mas a diferença de desempenho entre os compostos fez a equipe mudar os planos do britânico ainda no início da prova.

Lewis Hamilton (GBR) Scuderia Ferrari SF-26.
Foto: XPB Images

O problema se agravou na volta 40, quando o carro de Lance Stroll, da Aston Martin, provocou a entrada do VSC. Leclerc e Kimi Antonelli aproveitaram a oportunidade para trocar os pneus, mas Hamilton permaneceu na pista. Na relargada, o piloto da Ferrari foi ultrapassado pelo companheiro de equipe e, com os pneus desgastados, também perdeu posições para Antonelli, Lando Norris e Oscar Piastri.

Depois da corrida, Hamilton pediu desculpas à equipe e assumiu a responsabilidade por tentar completar a prova com apenas uma parada. Ele também reconheceu que perdeu a entrada dos boxes quando recebeu a instrução para parar durante o VSC.

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Na coletiva de imprensa, Vasseur foi questionado se a Ferrari havia feito uma nova chamada para Hamilton depois da primeira orientação. O dirigente negou que tenha dado uma segunda ordem para a parada e explicou que a equipe apenas acompanhava a situação.

“Não tínhamos certeza de conseguir ir até o fim”, afirmou Vasseur. Ao ser questionado novamente se Hamilton havia sido chamado aos boxes e decidido ficar na pista, respondeu: “Não, não, não, não. Estávamos apenas monitorando.”

O chefe da Ferrari também demonstrou irritação com a insistência dos jornalistas e comparou as perguntas à cobertura do acidente entre Lando Norris e Oscar Piastri na Sprint de sábado: “Vocês fizeram tantas perguntas à McLaren ontem?”, questionou. Depois de os jornalistas responderem que sim, Vasseur acrescentou: “Estávamos em P2-P3 na pista…”

Em seguida, ele reforçou que a equipe havia dado a instrução para a parada durante o VSC e que Hamilton não conseguiu entrar nos boxes. “Foi muito claro. Estávamos em P2-P3 na pista e chamamos dois carros: ‘Gente, vocês vão aos boxes sob o VSC’, e um dos meus caras disse: ‘Não, prefiro ficar na pista e perdi a entrada dos boxes’. Não culpem a equipe.”

Lewis Hamilton (GBR) Scuderia Ferrari SF-26 in qualifying parc ferme.
Foto: XPB Images

Vasseur também explicou por que a escolha dos pneus foi complicada desde o começo. A Ferrari tinha poucas referências para decidir entre os médios e os macios, já que o primeiro treino livre foi realizado com os duros e a Sprint disputada sob chuva dificultou a avaliação do desgaste em condições normais.

“A estratégia no começo, com a escolha de pneus, foi difícil; fizemos o TL1 com duros como todo mundo, e estávamos todos às cegas entre médios e macios”, disse.

A decisão de dividir as estratégias entre Hamilton e Leclerc buscava dar à Ferrari mais chances de enfrentar Verstappen. A equipe considerava tanto a possibilidade de duas paradas quanto a de completar a corrida com apenas uma, já que ainda não sabia como os pneus se comportariam ao longo dos stints.

“É por isso que no grid havia uma divisão de 50-50, e tomamos a decisão de dividir os carros porque era uma boa abordagem para tentar lutar com o Max — mas o pneu médio era ruim em comparação com o macio em todos os carros, e decidimos bem cedo mudar a direção [com o Hamilton].”

Segundo Vasseur, a equipe agiu rapidamente ao perceber que os macios eram a melhor opção e executou as trocas sem demora. A situação mudou com a entrada do VSC, quando Hamilton não conseguiu realizar a parada.

“Tínhamos duas opções desde o início: duas paradas ou uma parada, porque não tínhamos ideia sobre a degradação, e este é o tipo de fim de semana com Sprint em que pode ser extremamente seguro fazer um stint longo com médios ou macios e você tem uma boa leitura dos pneus, mas quando a Sprint é molhada, é muito mais difícil.”

O dirigente voltou a defender a estratégia da Ferrari e citou o pedido de desculpas de Hamilton como confirmação de que o piloto reconheceu sua parcela de responsabilidade no resultado.

“Então todo mundo estava encurralado, mas agimos muito bem, a estratégia era boa, e então, quando pedimos para eles trocarem, eles trocaram muito rápido, até o VSC. Pedimos para ele ir aos boxes, foi… não culpem a equipe, gente. Claramente no rádio, ele disse: ‘Peço desculpas, deixei vocês na mão, foi minha decisão.’ Havia uma mensagem clara, e o piloto pediu desculpas por ter deixado a equipe na mão.”