Carlos Sainz revelou que a rivalidade com Charles Leclerc na Ferrari, trouxe dificuldades que foram além das disputas na pista. O espanhol afirmou ter sido alvo de insultos de fãs mais radicais do monegasco e também criticado por parte da imprensa italiana, durante os quatro anos em que foram companheiros de equipe na Scuderia.
As declarações ganham destaque em meio à atenção sobre a relação entre Leclerc e Lewis Hamilton na Ferrari na temporada 2026 da Fórmula 1. Para Sainz, porém, os problemas enfrentados ao lado de Leclerc, estavam mais ligados à pressão externa em torno da equipe do que à convivência direta entre os dois pilotos.
“Honestamente, tenho boas lembranças do meu tempo com Charles e das disputas que tivemos. É verdade que, quando você está lutando por vitórias, há sempre mais pressão e mais coisas em jogo. Então, naturalmente, você se torna um pouco mais egoísta do que quando está lutando no meio do pelotão por um P8 ou P9”, afirmou.
Sainz explicou que a disputa por resultados importantes, pode tornar mais difícil seguir exatamente o cenário ideal desejado pela equipe, mas destacou que o respeito entre os dois permaneceu: “Acho que sempre respeitei Charles. Ele sempre me respeitou. Nunca tivemos contatos ou algo assim. Apenas tivemos disputas duras”, disse ele.
Segundo o atual piloto da Williams, os momentos mais complicados vieram da repercussão fora das pistas. Sainz citou episódios em Monza e Las Vegas e afirmou que o ambiente entre os torcedores estava fortemente polarizado.
“O que foi mais difícil foi a torcida, a parte de relações públicas. A torcida estava realmente inflamada naquela época e muito polarizada entre Charles e eu. Lembro de sofrer um pouco com alguns fãs muito radicais de Charles me insultando ou desejando coisas ruins para mim”, continuou.

Apesar disso, Sainz afirmou que os desentendimentos entre os dois normalmente eram resolvidos rapidamente: “É mais a pressão que envolve a Ferrari do que os problemas reais que tive com Charles, porque eles sempre eram resolvidos naquela mesma noite, quando ligávamos um para o outro com a cabeça mais fria”.
Para Sainz, conflitos entre dois pilotos competitivos são inevitáveis quando ambos têm condições de disputar vitórias: “Você pode escolher ter um número dois como segundo piloto ou ter dois bons pilotos que vão criar esses problemas. Mas, na minha opinião, você não pode ter um sem o outro”, acrescentou.
O espanhol disse ainda, que nenhuma equipe consegue eliminar completamente esse tipo de situação: “Se você é chefe de equipe e sabe que terá dois grandes pilotos, sempre terá esse problema. Não acho que seja possível acalmar esses dois caras 100% e esperar que eles não tentem uma ultrapassagem em um fim de semana de corrida”, completou.
