George Russell identificou dois aspectos técnicos que, na avaliação dele, comprometeram seu desempenho ao longo da temporada 2026 da Fórmula 1. O britânico acredita que as características da nova unidade de potência e as altas pressões dos pneus traseiros, prejudicaram seu estilo de pilotagem, justamente em um campeonato no qual Kimi Antonelli está muito perto de conquistar o título.
A situação de Russell ficou ainda mais complicada às vésperas do GP do México. Caso ele ou seu concorrente mais próximo, Lewis Hamilton, não vençam a corrida, Antonelli será campeão. Mesmo se Russell conquistar a vitória, o italiano precisa apenas terminar na nona posiçãor para garantir o título em sua segunda temporada na categoria.
O britânico começou o campeonato com pole position e vitória na Austrália, mas não conseguiu manter a mesma regularidade do companheiro de equipe. Antonelli abriu vantagem com uma sequência de cinco vitórias consecutivas, enquanto Russell acumulou sete corridas fora do pódio. O italiano, por sua vez, teve apenas dois resultados fora das três primeiras posições, sendo um deles provocado por um problema técnico no GP da Inglaterra e pelas consequentes penalidades por limites de pista.
Ao explicar suas dificuldades, Russell apontou que sua preferência por acelerar cedo nas saídas de curva passou a representar uma desvantagem com as características técnicas dos carros atuais: “Sempre fui um piloto que concentra seu trabalho na parte intermediária e na saída das curvas, o que frequentemente significa que acelero antes dos outros. Com essas novas unidades de potência, isso significa que gasto mais energia, e às vezes, não é a maneira mais eficiente de pilotar para a unidade de potência”, afirmou.
O segundo problema está relacionado aos pneus traseiros. Segundo Russell, as pressões elevadas reduziram a capacidade dos compostos de suportar seu estilo de pilotagem, especialmente quando ele tenta ganhar velocidade na saída das curvas: “A Pirelli retirou algumas libras por polegada quadrada de margem, especialmente no eixo traseiro, e isso acabou me prejudicando ao acelerar nas saídas, porque os pneus traseiros não conseguem lidar tão bem com isso”, disse ele.

Para o britânico, a combinação desses dois fatores foi determinante para suas dificuldades: “Esses dois fatores realmente prejudicaram meu estilo natural de pilotagem, e eu diria que essa provavelmente foi a maior questão desta temporada”, comentou.
A falta de regularidade também chamou a atenção do próprio piloto, pela dificuldade de reproduzir resultados positivos. Russell citou diferenças expressivas entre seus desempenhos em etapas consecutivas, sem que ele e os engenheiros conseguissem identificar uma explicação definitiva: “Saí de Mônaco, onde tive um final de semana muito difícil, e fui para Barcelona, onde fui o mais rápido em todas as sessões e conquistei a pole. Na corrida seguinte, na Áustria, consegui outra pole, mas algumas etapas depois estava classificando em quinto ou sexto”, acrescentou.
Ele também destacou a diferença entre seus resultados em Baku, onde conquistou a pole por oito décimos de segundo, e na Malásia, onde ficou apenas em oitavo na sessão de classificação.
Russell comparou ainda a atual temporada com 2022, quando terminou entre os cinco primeiros em 19 das 22 corridas, mesmo com a Mercedes tendo o terceiro melhor carro do grid. Agora, apesar de considerar que dispõe do melhor equipamento, não conseguiu transformar esse potencial em resultados semelhantes: “É bastante estranho. Estamos certamente quebrando a cabeça para entender isso, e definitivamente não é por falta de esforço”, finalizou o piloto britânico.
