A Mercedes adotou uma estratégia agressiva para desenvolver seu carro de 2026 e agora está pagando o preço no ritmo de atualizações. James Allison explicou por que a equipe ficou ‘fora de fase’ em relação aos principais concorrentes na Fórmula 1.
Essa decisão foi tomada antes do início da temporada, quando a Mercedes optou por levar o desenvolvimento do W17 mais adiante do que em qualquer projeto anterior. A intenção era aproveitar ao máximo a evolução aerodinâmica proporcionada pelos novos regulamentos, que, segundo Allison, apresentam uma taxa de desenvolvimento sem precedentes.
“Uma das características definidoras deste ciclo de regulamentos é o quanto eles ainda são imaturos. As taxas de desenvolvimento são enormes em comparação com os anos anteriores”, afirmou Allison no podcast Nu Silver Arrows. Segundo o diretor técnico, os ganhos observados no túnel de vento são aproximadamente seis ou sete vezes maiores que na temporada passada, enquanto o ritmo de evolução representa cerca de meio segundo a cada dois meses.
A estratégia permitiu que a Mercedes chegasse à primeira corrida com um carro muito competitivo, mas também consumiu antecipadamente boa parte do potencial de desenvolvimento: “O lado negativo é que essencialmente gastamos todo esse desempenho antecipadamente. Outras equipes finalizaram seus carros mais cedo e, portanto, puderam começar a desenvolver atualizações antes”, explicou Allison.

O efeito ficou evidente diante das abordagens de Ferrari, McLaren e Red Bull. A Ferrari foi apontada como a equipe que mais introduziu atualizações nas primeiras oito etapas, enquanto a McLaren apresentou uma grande evolução no meio da temporada e a Red Bull levou mudanças importantes para Miami.
A Mercedes, por outro lado, concentrou sua estratégia na segunda metade do campeonato. Toto Wolff classificou o plano como ‘ponderado para a segunda metade da temporada’, enquanto o diretor técnico adjunto, Simone Resta, confirmou que atualizações maiores serão introduzidas após o retorno das atividades da categoria no próximo final de semana.
Mesmo com Kimi Antonelli liderando o campeonato de pilotos com 219 pontos e a Mercedes tendo 72 pontos de vantagem sobre a Ferrari entre as equipes, Allison reconhece que a margem está diminuindo: “Estamos agora ligeiramente fora de fase com alguns de nossos concorrentes. Eles vêm introduzindo atualizações enquanto reconstruímos nossa linha de desenvolvimento”, acrescentou.
O objetivo, segundo Allison, é manter a liderança até que a próxima onda de atualizações devolva à Mercedes a vantagem construída no começo do ano: “O que estamos vendo é que todos estão obtendo ganhos em um ritmo semelhante. Isso significa que o cenário competitivo pode mudar muito rapidamente”, completou.
