Christian Horner revelou que sofreu ataques de pânico após deixar o comando da Red Bull Racing, em julho de 2025. Em entrevista ao jornal The Guardian, o ex-chefe da equipe também voltou a questionar os motivos de sua demissão e explicou em quais condições considera retornar à Fórmula 1.
Horner afirmou que precisou lidar com a perda de uma identidade construída ao longo de duas décadas à frente da equipe. A saída aconteceu em um período especialmente difícil, marcado pela morte de Beverley Allen, mãe de sua filha Olivia, vítima de câncer. Segundo ele, a prioridade inicial foi dar apoio à filha, e levou cerca de um mês para começar a processar o fim de sua trajetória na Red Bull.
Os episódios de ansiedade começaram com sintomas que ele não conseguiu identificar de imediato, como tontura e uma percepção mais intensa da própria respiração: “Eu não sabia o que era. De repente, você sente tontura, fica consciente da sua respiração e pensa que há algo estranho acontecendo”, relatou ao The Guardian. Depois de procurar orientação médica, Horner entendeu que a ansiedade poderia estar por trás dos episódios e afirmou que hoje consegue reconhecer os sinais e controlar a respiração.
Ele também manifestou decepção com Helmut Marko, ex-consultor da Red Bull, que esteve com sua família pouco antes de sua demissão, sem indicar que uma mudança estava próxima: “Fiquei decepcionado porque Helmut havia sido nosso convidado dois dias antes, sem dar qualquer sinal de que isso estava por acontecer”, disse ele.

Horner também negou que Max Verstappen ou seu pai, Jos, fossem os responsáveis pela saída e apontou mudanças na liderança da Red Bull após a morte do cofundador Dietrich Mateschitz. Ele acredita que a concentração de poder em suas mãos pode ter pesado na decisão, mas disse ainda: “Não me deram realmente um motivo”, acrescentou.
Sobre um possível retorno à F1, Horner esclareceu que suas declarações sobre a Ferrari como um emprego dos sonhos foram tiradas de contexto. Seu interesse estaria ligado a um projeto que lhe desse participação na propriedade de uma equipe, e ele afirmou ter recursos significativos por trás dessa possibilidade, sem revelar investidores ou acordos. Por enquanto, prefere permanecer fora da categoria a aceitar qualquer cargo apenas para voltar ao paddock, admitindo inclusive que talvez nunca mais trabalhe na Fórmula 1.
