Lewis Hamilton criticou duramente o funcionamento das unidades de potência da Fórmula 1 de 2026 após terminar o GP do México na segunda posição, apenas 0s8 atrás de Max Verstappen. O piloto da Ferrari afirmou que a maneira como os carros perdem velocidade nas retas prejudica as ultrapassagens e classificou o atual gerenciamento de energia como possivelmente o pior da história da categoria.
A reclamação ganhou força depois de Hamilton não conseguir superar Verstappen nas voltas finais, apesar de se aproximar do holandês. O heptacampeão pediu uma intervenção da FIA para modificar o comportamento das unidades de potência e também sugeriu alterações no traçado do Autódromo Hermanos Rodríguez para facilitar as disputas.
O principal problema apontado pelo britânico é o chamado clipping, fenômeno em que o carro perde velocidade no final das retas em função do gerenciamento da energia elétrica. Segundo Hamilton, a limitação impede que um piloto aproveite plenamente o vácuo para ultrapassar, mesmo quando dispõe de velocidade adicional.
O assunto surgiu primeiro em uma conversa com Verstappen na sala de descanso após a corrida. Hamilton reconheceu a vantagem da Red Bull nas retas, enquanto o holandês brincou sobre o desempenho superior da Ferrari nas curvas.

“Vocês também têm potência demais nas retas. Caramba”, comentou Hamilton.
“Quero dizer, eu precisava disso com a velocidade de vocês nas curvas!”, respondeu Verstappen.
Os dois concordaram, entretanto, que o clipping compromete as ultrapassagens. “É tão estúpido esse clipping que eles têm”, afirmou Hamilton. Verstappen respondeu: “Sim, é verdade. Isso realmente acaba com as ultrapassagens na curva 1”.
Na coletiva de imprensa, Hamilton aprofundou suas críticas e afirmou que a limitação foi determinante para a dificuldade de atacar o vencedor. O britânico também lamentou o confronto com Charles Leclerc na primeira volta, que permitiu a Verstappen assumir a posição à sua frente.

“Deixamos Max passar e a corrida acabou ali. Não dá para ultrapassar aqui”, afirmou.
“Acho que é algo que a FIA precisa resolver, porque é muito ruim. Tenho certeza de que eles [Verstappen e Antonelli] concordariam. Temos esse clipping no final da reta, quando não conseguimos ultrapassar uma determinada velocidade, então todo mundo simplesmente segue o carro da frente”, explicou.
Para Hamilton, o problema é especialmente frustrante porque impede que o piloto utilize a vantagem proporcionada pelo vácuo, um dos principais recursos para tentar uma ultrapassagem nas retas.
“É a coisa mais absurda quando você está atrás e tem um pouco mais de potência por causa do vácuo. Você deveria conseguir aproveitar isso para ter uma chance de ultrapassar. O motor consegue ir mais rápido, mas existem essas limitações absurdas”, declarou.

“Acho que provavelmente é a pior configuração de gerenciamento de potência que já tivemos na história deste esporte, e isso não proporciona boas corridas. Infelizmente, hoje vocês provavelmente não viram muitas ultrapassagens por causa disso”, acrescentou.
Apesar das reclamações, Hamilton reconheceu que as largadas proporcionaram momentos positivos. O britânico conseguiu ultrapassar Leclerc para assumir a segunda posição na relargada após o acidente de Valtteri Bottas, na volta 44.
O piloto também apontou as características do circuito mexicano como um obstáculo adicional. A altitude elevada reduz a densidade do ar e a pressão aerodinâmica, dificultando a aproximação entre os carros nas curvas.
“Obviamente, as largadas foram divertidas, mas é uma pista muito difícil para seguir outro carro, com o ar rarefeito e a baixa pressão aerodinâmica. Dei tudo de mim para tentar me aproximar de Max, mas talvez precisassem mudar a última curva, porque ela é muito rápida. Não sei”, avaliou.

“Talvez seja possível mudar o circuito para permitir corridas um pouco melhores. Mas o fato de todos terem esse clipping neste ano simplesmente reduz qualquer oportunidade de isso acontecer”, concluiu.
Com as críticas, Hamilton colocou em discussão não apenas as dificuldades de ultrapassagem no México, mas também o impacto das características das unidades de potência de 2026 sobre as disputas na Fórmula 1. Para o heptacampeão, permitir que os pilotos aproveitem melhor a velocidade adicional nas retas seria um passo importante para melhorar as corridas.
