Lewis Hamilton fez um duro alerta sobre os custos cada vez mais elevados no automobilismo, e afirmou que jovens talentosos estão sendo impedidos de chegar à Fórmula 1. Para o heptacampeão, o esporte a motor se tornou inacessível para famílias de origem comum, favorecendo aqueles que possuem maior poder financeiro.
O piloto da Ferrari acredita que a situação vem se agravando ao longo dos anos, e criticou a falta de medidas concretas para conter essa escalada de gastos. Segundo Hamilton, a ausência de responsabilidade por parte dos dirigentes das categorias, contribui para um cenário que ele classificou como preocupante.
“Eu realmente não tenho acompanhado isso de perto porque, na minha opinião, é algo que está constantemente indo na direção errada”, afirmou. O britânico acrescentou que não existe responsabilidade por parte das pessoas que administram essas organizações ou o esporte e defendeu a criação de mecanismos que tornem o automobilismo mais acessível: “Não sei como, mas precisa haver alguma forma de torná-lo acessível. É ridículo”, disse ele.
Hamilton usou exemplos para ilustrar a dimensão dos custos atuais. De acordo com o britânico, ele conhece uma família que gasta mais de US$ 1 milhão por ano, para manter um filho de apenas oito anos competindo no Kart. Ao comparar com sua própria trajetória, destacou como a realidade mudou drasticamente.
“Quando comecei, lembro que meu pai gastou cerca de US$ 27 mil no primeiro ano, e isso significou refinanciar a casa e estourar todos os cartões de crédito”, afirmou. O britânico construiu sua carreira longe de uma realidade financeira privilegiada e recebeu apoio da McLaren aos treze anos, fator que ajudou sua ascensão até a Fórmula 1.

Na visão de Hamilton, repetir essa trajetória atualmente se tornou extremamente difícil. O piloto acredita que alguém vindo de uma família comum praticamente não tem condições de competir em igualdade com aqueles que dispõem de grandes recursos financeiros desde as categorias de base: “Hoje, acredito que é muito improvável, se não impossível, que alguém de uma origem normal consiga chegar a um nível para competir com aqueles que gastam o mínimo exigido”. Para ele, a seleção natural por talento está sendo substituída pela capacidade financeira das famílias.
O heptacampeão lamentou que os jovens com mais privilégios acabem recebendo as melhores oportunidades: “Em vez de os mais talentosos avançarem, são as famílias com mais dinheiro que criam oportunidades para seus filhos, e são esses jovens privilegiados que conseguem seguir adiante”, acrescentou.
Hamilton também afirmou que não espera mudanças significativas no curto prazo. Segundo ele, a responsabilidade por transformar esse cenário está nas mãos da FIA e da própria Fórmula 1: “Infelizmente, é isso que veremos pelas próximas décadas até que algo mude. Isso depende da FIA e da Fórmula 1, elas precisam fazer essas mudanças”, completou.
