F1: FIA usa GP da Holanda para testar tecnologia contra microplásticos

A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) aproveitará o Grande Prêmio da Holanda, em Zandvoort, para testar filtros projetados para reter partículas de desgaste de pneus, microplásticos e outros poluentes antes que sejam levados pela chuva ao meio ambiente.

Desenvolvido em parceria com a Universidade Técnica de Berlim e a startup alemã Urbanfilter, o projeto busca validar uma tecnologia que poderá, futuramente, ser usada em vias públicas.

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Duas unidades foram instaladas na rede de drenagem do circuito, cobrindo cerca de 3.300 metros quadrados nas áreas do pit lane e da Curva 1. Para Nicolas Aubourg, Chefe de P&D da FIA, o principal desafio agora é confirmar em condições reais o desempenho observado em laboratório:

Gabriel Bortoleto (BRA) Sauber C45.
Foto: XPB Images

“É um sistema bastante inteligente”, disse ele. “Em testes de laboratório, o sistema capturou até 99% das partículas na água que passou por ele, com um intervalo de manutenção de cerca de um ano. O que precisamos estabelecer agora é como um protótipo se comporta em condições reais em um autódromo.”

A preocupação tem dimensão global. Um relatório da OCDE de 2024 estimou que 2,7 milhões de toneladas de microplásticos entraram no ambiente somente em 2020, volume que deve dobrar até 2040. Segundo estudo liderado pela Universidade de Portsmouth, partículas de pneus representam cerca de 28% dos microplásticos que chegam ao ambiente globalmente.

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A FIA destaca que a contribuição do automobilismo é mínima, já que apenas 22 carros competem em um circuito fechado durante um fim de semana de Grande Prêmio. A aposta é usar o ambiente controlado das corridas para desenvolver uma solução aplicável ao tráfego comum.

“Se conseguirmos convencer os promotores de outros circuitos de rua de que podemos instalar esses filtros, poderemos correr com menos partículas deixando o local e deixar os filtros depois para o tráfego rodoviário do dia a dia”, disse Aubourg. “Isso representaria uma quantidade significativa de partículas que não vão para o ambiente.”

A localização costeira de Zandvoort favoreceu a escolha do circuito. Todo o desenvolvimento, da coleta de amostras à fabricação dos protótipos, foi concluído em pouco mais de um ano.

“Nós projetamos o filtro e, um ano depois, estamos aqui em Zandvoort com os protótipos”, acrescentou Aubourg. “Se mostrarmos que está funcionando, então no ano que vem, com a ajuda deles e com todos os testes que fizemos, esperamos começar a discutir o conceito com outros circuitos. Eles já estão interessados.”