Uma falha inesperada no sistema de gerenciamento da energia elétrica quase impediu a largada do GP do Bahrein na Malásia no domingo (4). Durante a volta de formação, vários carros começaram a perder potência em Sepang, obrigando a direção de prova a interromper o procedimento e dando início a uma corrida contra o tempo nos boxes.
Lewis Hamilton foi um dos primeiros pilotos a perceber que havia algo errado. O britânico, que largaria da segunda posição com a Ferrari, viu seu carro perder força na reta principal enquanto os rivais também começavam a enfrentar dificuldades. Para tentar recuperar o funcionamento da unidade, ele precisou desligar o carro e fazer um reset completo ainda na pista.
O problema se espalhou pelo grid. Os dois carros da Audi e da Haas, os Cadillacs, um Alpine e um Racing Bulls também foram afetados, deixando vários pilotos praticamente se arrastando pelo circuito durante a volta que deveria anteceder a largada.

Max Verstappen, que acabou vencendo a corrida, também percebeu rapidamente a situação. O holandês contou que chegou a olhar para os retrovisores sem entender por que os outros carros estavam tão lentos: “Eu disparei [o problema] primeiro e então olhei no meu espelho, e pensei: ‘Espera, eles estão esperando por mim ou o que está acontecendo…?’ Foi como a corrida de Lego.”
“Foi insano. Tipo, é a energia do Lego. Em certo momento estávamos em cinco lado a lado na reta porque não conseguíamos entender o que estava acontecendo. Então demos uma volta e vi outros oito carros ainda se arrastando, e vi você (Hamilton) sozinho se arrastando. Isso não é o que você quer, certo, para o esporte”, complementou o tetracampeão mundial.
Diante do número de carros afetados, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) não teve alternativa a não ser abortar a largada. A pausa deu às equipes tempo para trabalhar nos sistemas e aplicar uma correção de emergência. Só depois desse procedimento o grid conseguiu se preparar novamente para o início da prova.
O problema teve origem em um sistema criado justamente para situações de baixa aderência. Pelos regulamentos técnicos, a potência elétrica, que normalmente chega a 350 kW, é limitada a 250 kW quando a pista oferece pouca aderência. A medida serve para evitar uma entrega excessiva e irregular de torque em condições escorregadias.
O sistema ainda não havia sido colocado à prova em uma corrida disputada sob chuva. Em Sepang, a combinação de pista molhada, velocidades muito baixas, frenagens em efeito sanfona durante a volta de formação e as características do circuito acabou revelando uma falha no software de controle: quando os carros reduziram demais a velocidade, as unidades de potência não conseguiram voltar a liberar normalmente a energia elétrica.
A FIA agora pretende investigar o caso em conjunto com os fabricantes de motores. Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da entidade, explicou que o objetivo é entender exatamente como a falha aconteceu e eliminar o problema antes que ele volte a aparecer em outra corrida.
O episódio também colocou novamente em discussão o nível de dependência da Fórmula 1 em relação aos sistemas eletrônicos. Nos últimos tempos, pilotos têm questionado o peso da gestão de energia, do clipping da bateria e de outros controles digitais no comportamento dos carros, principalmente quando esses recursos acabam interferindo nas disputas.
