A Haas avaliou quatro pilotos antes de escolher Rafael Câmara para a temporada 2027 da Fórmula 1. Entre eles estava Ryo Hirakawa, apoiado pela Toyota, parceira da equipe. A decisão acabou favorecendo o brasileiro, que substituirá Esteban Ocon ao fim deste ano.
Ayao Komatsu, chefe da Haas, chegou a viajar para Tóquio para conversar pessoalmente com Akio Toyoda, presidente da Toyota, antes de assinar o contrato com Câmara. Segundo ele, a montadora nunca escondeu o desejo de ter um piloto próprio na F1, mas Komatsu afirmou que explicou desde o início que a escolha seria baseada no desempenho. Toyoda teria ficado “completamente satisfeito com isso”.
A contratação de Câmara também levantou dúvidas sobre a influência da Ferrari na Haas. O brasileiro faz parte da Ferrari Driver Academy e terá um contrato de vários anos com a equipe americana. A expectativa é que ele seja companheiro de Oliver Bearman, outro piloto ligado à academia, embora a dupla ainda não tenha sido confirmada oficialmente para 2027.

Com dois jovens ligados à Ferrari, surgiram questionamentos sobre a possibilidade de a Haas se tornar uma espécie de equipe B da escuderia italiana. Komatsu descartou essa hipótese e garantiu que a parceria não interfere nas decisões sobre os pilotos: “Então, sim, eles são pilotos da FDA, suas carreiras foram apoiadas pela Ferrari, mas eles são pilotos da equipe Haas F1 e não temos nenhuma obrigação ou pressão para aceitar alguém da Ferrari. Então essa coisa de equipe B da Ferrari não é nem sequer uma possibilidade.”
O dirigente explicou que o acordo com a Ferrari permite à Haas ter acesso aos pilotos da academia. Foi por meio dessa relação que Bearman testou com a equipe no México, em 2024, enquanto Câmara participou de atividades em Portimão neste verão. Segundo Komatsu, as decisões são tomadas por ele e pelo proprietário da equipe, Gene Haas. O chefe também negou que a Ferrari tenha pressionado a equipe a contratar qualquer um dos dois pilotos.
A parceria técnica entre as equipes ajuda a explicar as dúvidas. A Haas utiliza motores, caixas de câmbio e outros componentes fornecidos pela Ferrari, além de manter um escritório de design em Maranello. Bearman e Câmara também continuam ligados à escuderia italiana e têm a expectativa de chegar à equipe principal no futuro.
Além de Hirakawa, a Haas avaliou Jack Doohan e Leonardo Fornaroli, piloto reserva da McLaren, antes de definir a contratação do brasileiro.
