F1: Brundle vê problemas após devolução do P3 para Gasly em Mônaco

A devolução do terceiro lugar de Pierre Gasly no GP de Mônaco, continua provocando controvérsia na Fórmula 1. Para Martin Brundle, a decisão criou uma situação desconfortável e pode gerar consequências importantes para o futuro da categoria.

O ex-piloto de F1 acredita que o caso abre um precedente delicado, especialmente porque outras equipes e pilotos administraram suas corridas com base nas punições aplicadas durante a prova. A discussão ganhou ainda mais força após recursos apresentados por Mercedes, McLaren e Red Bull Racing contra a revisão da FIA que beneficiou a Alpine.

A polêmica começou depois que cinco pilotos receberam reprimendas por excederem o limite de velocidade no pit lane em Mônaco. Quatro deles cumpriram suas punições durante a corrida, mas Gasly não chegou a cumprir ainda na prova e por isso teve os tempos das penalidades acrescidos após o GP, permitindo que a Alpine utilizasse o chamado ‘Direito de Revisão’ para contestar a decisão dos comissários.

O pedido foi aceito e o francês recuperou a terceira posição que havia conquistado na pista. Inicialmente, as punições adicionadas ao tempo de corrida haviam derrubado Gasly para o sétimo lugar, mas a revisão restaurou seu resultado original e retirou de Isack Hadjar o segundo pódio de sua carreira na Fórmula 1.

Pierre Gasly (FRA) Alpine F1 Team.
Foto: XPB Images

Em sua coluna para a Sky Sports F1, Brundle classificou toda a situação como extremamente complicada: “Essa é uma decisão muito complexa e desconfortável. Outros pilotos em Mônaco cumpriram suas penalidades e ajustaram suas estratégias de acordo com isso, e a corrida de Russell foi destruída, mas como não foram punições aplicadas após a corrida, nada mudou retroativamente para eles nos resultados”, afirmou.

O atual comentarista destacou ainda que Mercedes, McLaren e Red Bull, decidiram recorrer por terem sido prejudicadas pela mudança no resultado final: “Isso também cria um precedente de não cumprir penalidades durante a corrida, para preservar o direito de contestá-las depois. É tudo uma bagunça sem solução fácil”, acrescentou.

Segundo Brundle, a origem do problema está no método utilizado pela FIA para monitorar a velocidade no pit lane. A entidade utiliza um sistema baseado em laços de cronometragem. De acordo com ele, um desses pontos de medição em Mônaco era 77 centímetros menor do que o calibrado, o que resultou em diversas marcações de 60,1 km/h quando o limite era de 60 km/h.

O britânico também observou que o assunto já vinha sendo discutido desde os primeiros treinos livres do fim de semana, e que algumas equipes chegaram a ajustar seus limitadores de velocidade: “Claramente havia algo errado com tantas infrações idênticas, e é surpreendente que os comissários não tenham sido informados disso. Sem dúvida serão tiradas lições desse episódio, mas essa história provavelmente ainda vai continuar por algum tempo”, completou.