A Ferrari deve discutir internamente o incidente entre Lewis Hamilton e Charles Leclerc no GP do México, mas Martin Brundle não acredita que isso será suficiente para impedir um novo confronto entre os dois pilotos. Na avaliação do ex-piloto de Fórmula 1 e atual copmentarista, a natureza competitiva da dupla torna difícil garantir que uma situação semelhante não volte a acontecer.
O episódio no México custou caro à equipe. Hamilton e Leclerc escaparam da pista na Curva 4 quando o monegasco tentava assumir a liderança, abrindo espaço para Max Verstappen aproveitar a situação e vencer a corrida. Hamilton terminou em segundo, enquanto Leclerc ficou na quarta posição, e a Ferrari deixou escapar uma possível dobradinha.
Brundle espera que a equipe trate do assunto antes do GP do Braisl, mas vê limitações em qualquer tentativa de resolver definitivamente a questão apenas com conversas: “Não fica bonito para a equipe, é como quando Lando Norris acertou Oscar Piastri em Singapura, na corrida Sprint. Não fica bonito para a equipe e você decepciona 1.500 pessoas, e isso é apenas do lado do carro. Você decepciona as pessoas da sua equipe. Você é apenas o último elo da cadeia, mas é quem está lá fora e precisa entregar no calor do momento”, afirmou à Sky Sports.
Para Brundle, a Ferrari terá de administrar a situação, embora não espere que uma reunião elimine a possibilidade de outro episódio: “Eles vão se sentar, iremos para o Brasil e dirão: ‘Sim, sentamos, entendemos tudo, vamos seguir em frente, não acontecerá novamente’, mas na realidade, sabemos que vai acontecer”, disse ele.

O comentarista também apontou que há frustração do lado de Leclerc nesta temporada. Segundo Brundle, o monegasco teve dificuldades depois de ter superado Hamilton em 2025, e até agora, ter sido batido com mais frequência pelo heptacampeão mundial.
Mesmo após as críticas de Hamilton ao companheiro de equipe depois da corrida no México, Brundle defendeu a atitude de Leclerc e relacionou o incidente à mentalidade competitiva dos pilotos: “São pilotos de corrida programados para isso. É um negócio curioso, porque você atua individualmente em um ambiente totalmente coletivo. Você é avaliado individualmente e recompensado individualmente”, acrescentou.
Brundle ainda citou uma famosa frase de Ayrton Senna para explicar a disputa: “Quando a adrenalina está alta e surge a chance de uma brecha, como dizia o grande Ayrton Senna, ‘Se você não vai para uma brecha que existe, não é mais um piloto de corrida’. E foi isso que eles fizeram. Há alguma frustração. Charles teve algumas frustrações este ano”, encerrou o ex-piloto.
