O ar rarefeito da Cidade do México torna o acerto dos carros um dos principais desafios para as equipes no GP do México de Fórmula 1. A 2.240 metros acima do nível do mar, o circuito exige soluções específicas para equilibrar aerodinâmica, refrigeração, desempenho do motor e gerenciamento de energia.
A baixa densidade do ar reduz a pressão aerodinâmica, mas também diminui o arrasto e dificulta a troca de calor. Esse conjunto de fatores pode alterar o equilíbrio entre as equipes e torna especialmente relevante a combinação entre configurações aerodinâmicas e estratégias de utilização da unidade de potência.
Essa diferença em relação a outros circuitos é expressiva. Com a mesma configuração aerodinâmica utilizada em Mônaco, um carro gera no México apenas 60% da pressão aerodinâmica alcançada no circuito monegasco. Por isso, as equipes precisam adaptar seus projetos para compensar a perda de eficiência, enquanto ampliam as aberturas de refrigeração da carroceria e dos dutos de freio para lidar com as condições locais.
O impacto também chega aos motores de combustão interna, cuja capacidade de desempenho é prejudicada pela menor densidade do ar. O efeito pode ser ainda mais significativo em unidades de potência que utilizam turbocompressores de menor diâmetro por escolha de projeto, como acontece com a Ferrari.

Por outro lado, o ar menos denso reduz consideravelmente o arrasto. Isso significa que os carros precisam de menos potência máxima nas retas, e consequentemente, de menos energia para avançar. Encontrar o melhor equilíbrio entre fornecimento e recuperação de energia será, portanto, parte fundamental do trabalho das equipes.
Todos os times realizaram extensos trabalhos de simulação para reproduzir essas condições. O resultado poderá ser observado tanto nas soluções de refrigeração quanto nas diferenças entre os acertos aerodinâmicos, os mapas de motor e as estratégias de gerenciamento de energia.
A Ferrari chega ao México buscando confirmar o bom desempenho apresentado em Austin, embora tenha de lidar com as limitações de sua unidade de potência, agravadas pelo ar rarefeito. A Red Bull Racing, por sua vez, aparece como favorita em termos teóricos por contar com um motor de combustão interna considerado o mais eficiente em desempenho. Ainda será necessário avaliar se seu pacote aerodinâmico manterá a mesma eficácia demonstrada nas etapas recentes.
