Fernando Alonso decidiu continuar na Fórmula 1 mesmo com a Aston Martin atravessando um momento complicado. O espanhol renovou seu contrato para 2027 e vai disputar sua 24ª temporada na categoria, apesar das dificuldades enfrentadas pela equipe, principalmente com a unidade de potência Honda.
Para Alonso, a principal razão para seguir é simples: ele ainda sente vontade de correr. Aos 46 anos, o bicampeão mundial afirma que não consegue se imaginar assistindo às provas de casa enquanto acredita que poderia estar dentro do carro. “Se eu estiver sentado em casa assistindo TV e vendo as corridas, vou sentir que posso fazer melhor do que eles”, disse. “Ainda sinto o fogo por dentro e eu disse, até eu ter esse fogo por dentro, acho que não é hora de parar.”
A decisão acontece enquanto a Aston Martin tenta reduzir uma desvantagem significativa em relação aos rivais. Lance Stroll estima que a equipe esteja perdendo entre um e dois segundos por volta apenas por causa do motor: “Estamos perdendo dois segundos nos motores, então é difícil”, afirmou o piloto. “Lugares como Baku e Monza, quando você está perdendo dois segundos no motor, não há muito que você possa fazer.”
A situação ficou ainda mais complicada depois que a Honda utilizou as duas Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização disponíveis para a temporada de 2026. A primeira atualização foi introduzida no Grande Prêmio da Holanda. Depois, no GP da Espanha, a fabricante levou um turboalimentador atualizado para o carro de Stroll.

Koji Watanabe, presidente da Honda Racing Corporation, explicou que a segunda mudança foi necessária por causa de problemas de dirigibilidade encontrados na especificação anterior. “Usamos ambas”, explicou Watanabe. “Introduzimos a primeira atualização ADUO na Holanda, e depois colocamos uma UP incorporando a segunda atualização no carro de Lance Stroll no GP da Espanha. A UP Spec 2 que introduzimos na Holanda tinha alguns problemas de dirigibilidade, então introduzimos um turbo melhorado no GP da Espanha.”
Mesmo com as alterações, Stroll não percebeu uma melhora significativa no desempenho do motor: “Não muito”, disse Stroll quando perguntado sobre qual diferença ele havia sentido. “Estamos realmente lutando no lado do motor. Sabemos disso, então há muito trabalho a ser feito.”
O canadense, no entanto, vê avanços no desenvolvimento do chassi. Segundo ele, a grande atualização introduzida em Budapeste representou um passo importante e ajudou a equipe a definir melhor o caminho para o desenvolvimento do carro. “Demos um grande passo em Budapeste”, continuou ele. “Acho que temos uma direção clara sobre o que precisamos fazer com o desenvolvimento do carro. Mas estamos faltando entre um e dois segundos, dependendo das pistas, a cada fim de semana no motor. No momento, essa é realmente a nossa fraqueza.”
É nesse cenário que Alonso decidiu permanecer. O piloto reconhece que não há garantia de que os regulamentos de 2027 tornarão a Fórmula 1 mais competitiva ou que a Aston Martin conseguirá dar o salto esperado. Ainda assim, ele acredita que o projeto merece mais uma chance.
A conversa com Lawrence Stroll, proprietário da equipe, foi rápida e, segundo Alonso, não houve grandes obstáculos para chegar a um acordo. “Tomei a decisão recentemente, e sentar com o Lawrence foi muito direto”, disse Alonso. “Não tivemos muito o que discutir. Ambos queríamos continuar naquele momento. Foi uma conversa de cinco minutos e então anunciamos.”
Para o espanhol, a Aston Martin também merece tempo para corrigir os problemas que surgiram no projeto da unidade de potência. O desempenho do motor continua sendo uma incógnita para 2027, mas isso não foi suficiente para fazê-lo abandonar a equipe.
“Vamos dar outra oportunidade”, acrescentou. “Especialmente no lado da unidade de potência, começamos com o pé errado e é uma incógnita o que vai acontecer no próximo ano. Mas eles merecem outra oportunidade, e eu ainda me sinto rápido.”
