F1: A Mercedes ainda é a equipe a ser batida na Fórmula 1?

A vitória de Lewis Hamilton em Barcelona mostrou que a Ferrari está mais próxima da liderança do que parecia algumas corridas atrás. Ainda assim, os números da temporada indicam que a Mercedes continua sendo a principal referência do grid em 2026.

Durante o começo da temporada 2026, a Mercedes ocupou uma posição confortável na Fórmula 1. A equipe acertou a interpretação do novo regulamento técnico, viu Kimi Antonelli assumir rapidamente o protagonismo do campeonato e construiu uma sequência de resultados que a transformou na principal força do grid.

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Mas Barcelona trouxe uma nova discussão para o paddock.

A vitória de Lewis Hamilton colocou a Ferrari novamente no centro das atenções e levantou uma questão importante para o restante do campeonato: a Mercedes continua sendo a equipe a ser batida ou a disputa pela liderança está mais aberta do que parecia?

A resposta provavelmente está em algum lugar entre os dois extremos.

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Barcelona mostrou que a Mercedes não é invencível. Mas também não apresentou evidências suficientes para retirar da equipe alemã o posto de principal referência da temporada.

A melhor maneira de analisar a situação é separar desempenho pontual de consistência.

A Ferrari foi a vencedora do GP da Espanha. A Mercedes, porém, continua sendo a equipe que apresentou o desempenho mais constante ao longo do campeonato. Enquanto os adversários alternaram momentos fortes com fins de semana mais difíceis, a equipe alemã conseguiu permanecer regularmente entre os protagonistas.

Grande parte dessa estabilidade passa pelo desempenho de Antonelli.

O italiano lidera o campeonato e construiu sua campanha não apenas através das vitórias, mas também pela capacidade de evitar finais de semana ruins. Mesmo quando não esteve em condições de vencer, normalmente permaneceu próximo das primeiras posições e limitou perdas importantes para os rivais.

Os números internos ajudam a explicar esse cenário. Antonelli está empatado com George Russell nas classificações, por 5 a 5, mas lidera o confronto de corridas por 5 a 2. Além disso, possui vantagem nas presenças no top 10, por 6 a 5.

Mais do que velocidade pura, a Mercedes encontrou uma combinação eficiente entre desempenho, estratégia e execução. Mas isso não significa que a ameaça da Ferrari deva ser ignorada. Pelo contrário.

Barcelona foi importante justamente porque aconteceu em um circuito tradicionalmente considerado uma das melhores referências técnicas da Fórmula 1. O traçado catalão costuma revelar a qualidade real dos carros e raramente produz resultados completamente fora da curva.

A vitória de Hamilton mostrou que a Ferrari possui condições de desafiar a Mercedes em circuitos exigentes e que a distância entre as duas equipes pode ser menor do que parecia no início da temporada.

O desafio agora é repetir esse desempenho. Ao longo das oito primeiras etapas, a Mercedes construiu sua vantagem através da regularidade. A Ferrari, por outro lado, alternou momentos de competitividade com corridas em que esteve claramente atrás da equipe alemã.

Para assumir o papel de principal rival na luta pelo título, a escuderia italiana precisa demonstrar que Barcelona foi o início de uma tendência, não uma exceção.

Qualifying top three in parc ferme (L to R): Lewis Hamilton (GBR) Scuderia Ferrari, second; George Russell (GBR) Mercedes AMG Formula One Team, pole position; Andrea Kimi Antonelli (ITA) Mercedes AMG Formula One Team, third.
Foto: XPB Images

E onde entra a McLaren?

A análise da temporada também fica incompleta sem a McLaren.

Embora a equipe tenha perdido parte do protagonismo nas últimas corridas, continua sendo uma presença constante entre os primeiros colocados. Norris lidera Piastri por 6 a 4 nas classificações, mas as corridas estão empatadas em 3 a 3 e ambos possuem quatro presenças no top 10.

O equilíbrio interno reflete um pouco da própria situação da equipe.

A McLaren segue rápida, mas ainda busca transformar desempenho em resultados de forma tão eficiente quanto Mercedes e Ferrari. Em vários momentos do campeonato, pareceu próxima de entrar definitivamente na luta pelas vitórias. Em outros, acabou ficando um passo atrás dos principais concorrentes.

Por isso, embora continue na disputa, a sensação atual é que a equipe de Woking corre mais para acompanhar Mercedes e Ferrari do que para liderar o grupo.

A Áustria será um teste importante

O GP da Áustria deste fim de semana surge como uma oportunidade interessante para medir o momento real das três principais forças da temporada.

A Mercedes chega defendendo a posição de referência do campeonato. A Ferrari tenta provar que sua evolução é sustentável. E a McLaren busca recuperar espaço em uma disputa que vem ficando cada vez mais concentrada nos dois primeiros times.

Além disso, o Red Bull Ring possui características diferentes das encontradas em Barcelona. Trata-se de um circuito com voltas curtas, fortes zonas de frenagem e grande importância da eficiência em reta, fatores que podem alterar parte do equilíbrio observado na Espanha.

Por isso, a corrida austríaca pode oferecer uma imagem mais clara da hierarquia atual do grid.

Quem é a equipe a ser batida?

A vitória de Hamilton foi suficiente para abrir a discussão, mas não para encerrar a análise.

Se a pergunta for quem venceu a corrida mais recente, a resposta é Ferrari. Se a pergunta for qual equipe apresentou o melhor desempenho ao longo da temporada, a resposta continua sendo Mercedes.

A equipe alemã lidera o campeonato, possui o piloto mais consistente do ano e continua aparecendo regularmente entre os protagonistas em praticamente todos os tipos de circuito.

Isso não significa que a vantagem seja confortável. Pelo contrário. A Ferrari parece mais próxima do que em qualquer momento da temporada e a McLaren continua suficientemente competitiva para interferir na disputa.

Mas até que alguém consiga superar a Mercedes de forma consistente, o papel de equipe a ser batida permanece exatamente onde esteve desde o início de 2026: em Brackley.