Engenheiro da Mercedes F1: “As pessoas não são só o problema, mas a solução”

Nos últimos anos, a Mercedes dominou a Fórmula 1. A equipe não tem dominado apenas em termos de velocidade, mas também de confiabilidade. Mas como a equipe conseguiu atingir esse nível de consistência?

Dezessete corridas foram realizadas em 2020, mas apenas uma vez um carro da Mercedes teve que retornar ao box mais cedo. Em Nürburgring, Valtteri Bottas sofreu um problema técnico que o levou a abandonar.

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Mas nem sempre os carros da equipe foram tão confiáveis. Na verdade, antes da era híbrida, a equipe teve que lidar com muitos abandonos. “Não terminamos 30% das corridas naquela época. Regularmente tínhamos que encurtar nossos tempos de volta para ter certeza de que terminaríamos. Uma equipe pequena seria perdoada por isso, mas como Mercedes, era inaceitável”, disse o engenheiro-chefe, Russell Cooley, ao Auto, Motor und Sport.

Então algo teve que ser mudado na Mercedes, mas a equipe logo descobriu que não era o controle de qualidade, nem as ferramentas. O problema estava nas pessoas da equipe, muitos pequenos erros que acabam levando ao fracasso.

“Portanto, foi mais um desafio cultural do que técnico.”

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“Construímos uma cultura de trabalho em que era proibido ignorar os procedimentos corretos. Tornou-se inaceitável que alguém se desviasse deles. Não nos permitíamos mais sacrificar os tempos de volta pela confiabilidade ou vice-versa”, explicou Cooley.

No entanto, erros ainda podem acontecer, como um problema sério no Grande Prêmio da Áustria de 2020. Um problema na caixa de distribuição quase paralisou todo o sistema de controle da transmissão.

“O problema já havia surgido um pouco durante o teste de pré-temporada de 2020, mas só se tornou muito sério quando os pilotos chegaram ao limite. Os sistemas de emergência nos salvaram, mas certamente não poderíamos ter feito uma segunda corrida com aqueles dois carros.”

A próxima corrida foi apenas uma semana depois, então a Mercedes teve que se desviar do seu sistema e improvisar.

“Projetamos uma nova caixa de distribuição como uma solução provisória. A solução final para o problema estava pronta quatro corridas depois”. Portanto, mesmo na Mercedes, certamente nem tudo é sempre perfeito, mas de acordo com Cooley, sempre há uma resposta pronta.

“O erro é cometido por pessoas. Mas, com a nossa abordagem, as pessoas não são apenas o problema, mas também a solução”, completou.

 

 

 

 

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